Vadim Nikitin
Vadim Nikitin 23 de maio de 2019 às 17:32

Vem aí a PSD2

A próxima década pode ser crucial para a sobrevivência dos bancos tradicionais, mas também poderá ser apenas mais uma fase que os bancos superam e utilizam para seu benefício.

A 14 de setembro, a nova diretiva de pagamento de serviços ("Payment Services Directive 2 – PSD2") entrará em efeito. Esta permitirá que empresas como "fintechs" operem em áreas que estavam reservadas aos bancos, como a gestão de contas bancárias e o processamento de pagamentos. Mais relevante, é o facto de os bancos terem de partilhar os dados destes movimentos e o acesso à sua infraestrutura com terceiros. O objetivo por detrás desta nova regulamentação é acabar com o monopólio dos bancos nestes domínios. A Roland Berger, uma empresa de consultoria, estima que a PSD2 poderá levar os bancos a ver os seus lucros diminuir cerca de 40% a longo prazo. Tais projeções levantam questões importantes: Porque são tão sombrias as previsões de futuro para os bancos tradicionais? E o que estão estes bancos a fazer para se prevenirem?

 

O primeiro problema é que a maior parte dos grandes bancos tem infraestruturas complexas que requerem adaptações substanciais para estarem de acordo com a PSD2. Devido às suas dimensões, os bancos tradicionais levam mais tempo a implementar mudanças do que as "startups" financeiras, e têm regulamentações mais exigentes no que diz respeito ao risco, desincentivando a inovação.

 

Outro problema para os bancos é a constante necessidade de reinventar os seus produtos, tornando-os mais baratos e personalizados, e mais acessíveis através de todas as plataformas digitais – isto para acompanharem as inovações de "fintechs" como a Revolut ou N26. Se não se atualizarem certamente perderão clientes. Contudo, mesmo que se atualizem, irão enfrentar comissões mais baixas e margens menos atrativas.

 

No entanto, onde há um desafio, há uma oportunidade, e este caso não é diferente. Os bancos tradicionais podem utilizar a sua vantagem de escala para criar os seus próprios ecossistemas, oferecendo serviços complementares de diferentes parceiros. Dadas as extensas parcerias que muitos bancos mantiveram com outras organizações, estes estão bem posicionados para oferecer produtos que satisfaçam as necessidades dos seus clientes (tais como gestão de conta avançada ou gestão de múltiplas contas numa só plataforma). Em relação aos seus clientes de retalho, os bancos terão de melhorar a oferta de serviços personalizados como orçamentos pessoais, opções de financiamento e veículos de investimento. É necessária uma integração com serviços de terceiros, tais como redes sociais ou plataformas de comércio eletrónico, para que esta ambição se materialize com sucesso.

 

De momento, é mais provável que sejam as "fintechs" a desenvolver novos serviços e a explorar oportunidades que surjam como consequência da introdução da PSD2, uma vez que são empresas mais pequenas, mais flexíveis, com menos aversão ao risco e menos distanciadas das necessidades reais dos seus clientes. É relativamente claro que se os bancos não se reinventarem, serviços de terceiros irão aparecer e assumir o papel de gestores financeiros, reduzindo os bancos a meras entidades de depósito de ativos.

 

Mas nem tudo está perdido para os bancos tradicionais. Estes podem utilizar a sua magnitude para reinventar os seus negócios e, possivelmente, adquirir alguns dos seus maiores competidores. A próxima década pode ser crucial para a sobrevivência dos bancos tradicionais, mas também poderá ser apenas mais uma fase que os bancos superam e utilizam para seu benefício.

 

Membro do Nova Investment Club

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