Marco Domingues
Marco Domingues 28 de novembro de 2018 às 19:32

Inovação social e avaliação de impacto a partir da economia social e solidária

Medir o impacto é cada vez mais uma exigência associada a processos de avaliação, nomeadamente aqueles que resultam de iniciativas de investimento social.

A importância da análise do retorno do investimento, nomeadamente nos projetos reconhecidos de inovação social que preconizam novas respostas e/ou mais eficazes para novos e velhos problemas sociais, é elementar para a melhoria da eficiência e eficácia na utilização dos recursos disponíveis. Na Animar, uma rede com 25 anos, constituída por organizações sociais oriundas de territórios geograficamente marginalizados à época, e que segundo um dos seus fundadores, o Prof. José Portela, "manifestavam a vontade de mudar o mundo a partir do chão", vontade essa, que perdura e vai sendo fortificada com ação sustentada e sustentável um pouco por todo o país, onde o impacto se gera por via de dinâmicas associativas e cooperativas, alicerçado em parcerias com o poder local, na procura de soluções aos vários desafios sociais, económicos, ambientais, culturais e políticos, consolidadas em lógicas de investigação-ação e com base na experiência refletida em inúmeras iniciativas de inovação social que contribuíram para o desenvolvimento das suas comunidades.

 

Sublinhe-se que entendemos a inovação social em duas dimensões. Numa primeira, ao nível do processo de construção e na relação entre setores, que resultou nas várias e diferentes parcerias entre a administração central e local e as organizações da economia social e solidária. Numa segunda dimensão, ao nível dos resultados, nas diferentes iniciativas inovadoras à sua época, e que resultaram na institucionalização positiva de respostas aos  desafios sociais e que tanto contribuíram e contribuem para o desenvolvimento social. Reforçamos a relevância da inovação social enquanto processo consequente das relações de parceria e de trabalho em rede concebidas entre setores, numa primeira instância histórica entre o setor social e o publico, e mais recentemente, também entre estes com o setor privado com fins lucrativos. Estes três setores encontram-se no atual contexto socioeconómico, a procurar entre si novos formatos de relacionamento numa mesma missão social, mas com diferentes níveis de primazia e responsabilidade face à mesma.

 

Um dos mecanismos atuais, importado e em fase de validação, e que permite depreender a causalidade e determinar o impacto de um programa, projeto ou iniciativa, procurando uma maior credibilidade e contribuindo para uma cultura organizacional promotora da melhoria contínua, define-se de "avaliação de impacto". É aqui que a Animar considera fundamental o desenvolvimento de uma nova metodologia de avaliação do impacto social, a partir da experiência e ADN da economia social e solidária, nomeadamente, a partir da definição de indicadores que garantam a análise da participação dos grupos, comunidades e instituições nos processos de tomada de decisão que os envolvam, que avaliem a igualdade de oportunidades e tratamento na diversidade e na diferença, que garantam a equidade para uma maior coesão social e territorial e, por fim, que avaliem a boa governança dos recursos disponíveis, incluindo os recursos naturais de uma mesma "casa comum". Este, é mais um desafio de inovação social abraçado pela Animar, a conceção de um modelo de impacto social a partir da experiência e princípios da economia social e solidária. 

 

A importância das IPSS em Portugal

 

O estudo "A Importância Económica e Social das IPSS em Portugal" vai ser apresentado no dia 4 de dezembro, pelas 15 horas, no auditório do Museu do Dinheiro do Banco de Portugal, em Lisboa. Esta iniciativa é organizada pela CNIS - Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade e consta da intervenção de Paula Casimiro sobre "O que podemos esperar de uma central de balanços? A experiência do Banco de Portugal" e da apresentação do estudo a cargo de Américo Carvalho Mendes, coordenador da Área Transversal da Economia Social da Universidade Católica Portuguesa - Porto.

 

Pós-Graduação em Economia Social em Esposende

 

Arrancou, na semana passada, a 8.ª edição da Pós-Graduação em Gestão de Organizações de Economia Social, promovida pelo Centro Regional do Porto da Universidade Católica Portuguesa e que conta com o apoio da Associação Mutualista Montepio Geral.

 

Ao mesmo tempo, teve início, em Esposende, a primeira edição do mesmo curso de Pós-Graduação, numa parceria entre aquela universidade o Município de Esposende, com vista à formação, capacitação e qualificação de 35 profissionais e dirigentes de 14 Instituições Particulares de Solidariedade Social daquele concelho.

 

Presidente da ANIMAR - Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Local e docente da Escola Superior de Educação de Castelo Branco

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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