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[320.] Cartazes das autárquicas de 2009

As eleições autárquicas originam uma miríade de mensagens políticas visuais por todo o país. Durante décadas, era difícil conhecer os cartazes que se faziam nas milhares de candidaturas, mas a internet resolveu esse problema com os sites dos próprios partidos...

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As eleições autárquicas originam uma miríade de mensagens políticas visuais por todo o país. Durante décadas, era difícil conhecer os cartazes que se faziam nas milhares de candidaturas, mas a internet resolveu esse problema com os sites dos próprios partidos e candidatos e em especial de blogues que se dedicam - que se divertem - a juntar e a difundir fotografias dos billboards e cartazes.

As mensagens políticas de muitas candidaturas parecem passar à margem das direcções partidárias. Portugal tem uma tradição secular de independência dos concelhos.

Muitos candidatos pelo país fora gostariam porventura de dizer o que só o do PSD de Mangualde escreveu nos seus cartazes: "Acima de Mangualde SÓ DEUS". A Igreja e muita gente da terra protestaram, mas quem ousa negar que a santa terrinha está pelo menos acima de Portugal? A variedade, humor, imaginação, delírio criativo, e também todo o contrário disso e ainda o ridículo vão poluindo as rotundas do nosso Portugal e há cartazes tão estranhos aos forasteiros que chego a perguntar-me se são reais. Mas alguns vi-os claramente vistos.

O cartaz do CDS de Vale de Cambra parece de um filme indiano e o slogan parece dum empregado de mesa: "É p´ra já".

Há um candidato no Algarve cujo slogan ganha o prémio mundial da tautologia mais oca de sempre: "Faro é Faro". O candidato do PSD noutra autarquia algarvia tem um slogan que arrepia: "Somos todos Albufeira". Mas uma candidata do PS, com nome de sonoridade brasileira, Jovita Ladeira, leva o amor à terrinha quase ao nível do senhor de Mangualde, comparando Vila Real de S. António ao planeta: "gosto desta Terra".

Há candidatos que enchem os cartazes com as suas pessoas: caso de José Pós-de-Mina, da CDU de Moura, que se apresenta apenas, com letras garrafais como "O Presidente"; caso também do candidato do PS em Évora, que diz em letras garrafais "os eborenses conhecem-me" (ficando por explicar se isso é positivo).

Já o candidato do PS em Almada, Paulo Pedroso, não dá a cara nos cartazes. No Cartaxo, os candidatos do PS são dos poucos que despersonalizam a imagem. Em vez disso, o billboard promete obras: tantas que a foto mostra um prédio (centro de dia?, creche?) em obras paradas.

A CDU de Torres Novas, em vez de se concentrar num ou noutro protagonista, democraticamente apresenta 37 caras no cartaz. Infelizmente, o cartaz é medonho.
Não faltam toques de humor, felizmente. É certo que na maioria dos cartazes o humor é involuntário. O candidato do PS à câmara de Moura contra "O Presidente" da CDU apresenta-se com outro homem num cartaz: o "O" de Moura aparece em forma de coração e quando os dois candidatos lado a lado o slogan em cima "juntos por si" faz lembrar uma união de facto.

Humor autêntico, embora fraquinho, é o da CDU de Matosinhos, visando os conflitos entre o candidato do PS e o ex-PS Narciso Miranda: diz que "dispensamos outra guerra de poleiro" e a foto em ponto grande mostra dois galos de capoeira. O candidato do PS por Santarém aproveita a dispersão por actividades mediáticas do candidato pelo PSD, Moita Flores, para se apresentar como "um presidente a tempo inteiro".

A variedade é grande, como se vê nestes poucos exemplos. Há de tudo, ou, se se quiser, retomando o clássico slogan do candidato do PS à freguesia de Grândola em 2005, há "Custódio Bacalhau com todos".


ect@netcabo.pt


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