Eduardo Cintra Torres
Eduardo Cintra Torres 17 de dezembro de 2014 às 19:30

[591.] Anúncios de relógios no Natal

A publicidade a relógios de pulso teve este Natal uma predominância de que não me recordo em anos anteriores. Os anúncios de relógios dividem-se em três grupos: no primeiro, o relógio tem total protagonismo.

 

O mostrador, que na realidade tem um diâmetro de cerca de três ou quatro centímetros, aparece em fotografias gloriosas aumentado até aos 15 ou 20 centímetros de diâmetro em papel. Desses reclames, já falei noutras ocasiões. Passemos ao segundo grupo, centrado no estilo de vida, em que os relógios são associados a (pessoas que praticam) desportos de gente fina: hipismo, corridas de automóveis, etc. Também já analisei alguns destes.

 

O terceiro grupo está em grande este Natal: o dos anúncios de relógios com celebridades ou famosos. São mais as celebridades do que os famosos, porque os relógios, como produto que se pretende associar ao glamour (e à classe social), não poderiam ficar ligados a uns conhecidos da TV, recorrendo por isso a actores ou desportistas célebres. São pessoas com qualidade reconhecida na sua profissão, mas a sua dimensão mediática é fundamental, dado que convém que sejam identificadas pelo maior número de receptores.


Eis algumas celebridades nos anúncios deste ano: George Clooney (Omega), Hugh Jackman (Montblanc), Simon Baker, o actor de "Mentalista" (Longines), Jorge Lorenzo, motociclista (Sector). Este Natal também aparecem conhecidos em publicidade de outros produtos, em geral de perfumaria, como Gerard Butler, actor (Boss), Miranda Kerr, modelo (Escada), Cate Blanchett (Armani), mas a seguradora Generali recorreu de novo a Joaquim de Almeida.

 

Alguns dos anúncios de relógios juntam celebridade e estilo de vida. George Clooney olha para trás, para nós, do seu descapotável à beira do Lago Como, em Itália. Parece Cary Grant no filme "How to Catch a Thief" (Ladrão de Casaca), de Hitchcock. Mudámos do Mónaco para Itália e de Grant para Clooney. Hugh Jackman, de smoking, conversa com outro homem, de forma a usar a mão e a mostrar o relógio de pulso. Também Simon Baker sublinha o chique disto tudo: de fato e gravata, afaga um cavalo, em fotografia a preto e branco. Só Lorenzo, provavelmente identificável apenas pelos fãs do motociclismo, aparece em simulação da sua profissão, equipado com capacete e tudo, impedindo que se lhe reconheça a cara, o que obrigou a colocar o nome, bem visível, ao lado da cabeça.

 

Uma celebridade acrescenta valor à publicidade. As marcas que usam modelos desconhecidos nos anúncios ficam a perder neste campeonato. Eletta escolheu mostrar uma mulher desconhecida, como que em espelho, à esquerda e à direita do relógio, e de boca aberta de espanto, sem o ar de calma olímpica das celebridades que anunciam relógios caros ou caríssimos. O relógio é todo dourado, mas o anúncio tem de dizer sem dizer que não é de ouro: "Inclui pulseira vintage" e o preço, que é escondido em quase toda esta publicidade, vem claramente indicado, para a observadora confirmar que Eletta não se apresenta como da primeira liga de preços. Usando modelos comuns, outros publicitários recorrem ou à beleza da composição, como nos anúncios de relógios de Calvin Klein - é a "arte pela arte" transformada em "arte pela arte pelo comércio" - ou a indícios de moda e estilos de vida. Uma rapariga linda anuncia o relógio Tommy Hilfiger com um jeep (aventura!) no fundo da imagem e na mesma marca o relógio masculino é protagonizado por um adepto da nova moda pilosa e camisa aos quadrados dos lenhadores, os "lumbersexuals". Este tem por fundo uma paisagem nevada e um jipe carregado (aventura!). Não vai rachar lenha, pela certa.

 

Com ou sem relógio no sapatinho, um Bom Natal para os leitores.

 

eduardocintratorres@gmail.com

 

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