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[629.] Cartazes eleitorais: menos simbólicos, menos debatidos

Por onde andam os cartazes dos partidos? Depois de intenso debate público no começo da pré-campanha, os cartazes entraram numa zona de silêncio. 

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Está certo, pois não podem estar no centro duma campanha com substância. Eles são um complemento, apenas um dos instrumentos das campanhas.

 

As suas mensagens têm de ser simples porque a atenção dos observadores é de apenas alguns segundos. O carácter dos cartazes deveria convidar os seus autores a uma forte carga simbólica, para "obrigar" o observador a transpor da simplicidade dos elementos gráficos para mensagens alternativas. Mas, os "gatos escaldados" este ano tiveram receio de oferecer fortes mensagens simbólicas, depois de o mais simbólico dos cartazes - o da mensagem "adventista" do PS - ter sido muito criticado e logo retirado.

 

A mensagem escrita desse cartaz era banal, baseada na palavra-chave da campanha PS: "É tempo de confiança." Repetia-se a palavra no rodapé: "António Costa - Alternativa de confiança." Nessa fase, era objectivo associar indirectamente Costa ao valor político "confiança". Até aqui, tudo certo, mas foi a imagem associada que causou problemas ao PS: uma rapariga puxava uma imagem de tempestade e surgia por trás um céu em que o Sol já iluminava o firmamento. Também estava tudo certo, incluindo o habitual recurso ao "trompe l'oeil", concretizado pela sugestão de que a rapariga está a arrancar um cartaz do próprio suporte para o substituir pelo novo: transmitia a ideia de mudança do velho "cartaz", o actual governo, para o futuro radioso do desejado governo, o "cartaz" PS. Mas falhou a concretização estética, pois parecia a dos folhetos das igrejas evangelistas e principalmente porque muitos cidadãos deixaram de tolerar mensagens políticas baseadas em promessas excessivas de "futuro radioso", como o desejado pela simbologia meteorológica.

 

Em consequência, os partidos refrearam as promessas visuais, a ponto de os cartazes quase não se notarem. Há poucos, e baseiam-se em mensagens simplificadas e quase sem promessas. O PCP fala genericamente em "soluções para um Portugal com futuro", o que está certo, mas pouco adianta. Para se conhecer as "soluções" tem de se acompanhar a campanha, o que é confiar demais no observador. Noutro cartaz, o PCP usa a singular expressão "gente séria", procurando capitalizar a ideia comum de que os seus autarcas não aparecem ligados a corrupção. É uma mensagem limitada, mas eficaz, dado a repugnância generalizada pela corrupção de políticos.

 

O BE, o Livre e o Agir optaram por mostrar as caras dos principais candidatos, aderindo em definitivo à personalização que a sua área partidária tanto combateu no passado. O Bloco apresenta Catarina Martins e, noutro cartaz, pôs Mariana Mortágua, a estrela em ascensão, como que ao lado daquela, mas por trás, para não haver dúvidas quanto ao "aqui quem manda sou eu".

 

Pelo contrário, os cartazes da coligação PSD-CDS omitem os seus líderes e usam - depois do erro do recurso a estrangeiros em bancos de imagens - cidadãos comuns, acompanhando mensagens com factos da recuperação económica e setas crescendo. Deste modo, o "futuro radioso" é representado factual e simbolicamente, mas sem a "evangelização" do infeliz cartaz do PS. Este, como candidato à governação, apostou tudo no culto da personalidade de Costa. Agora, "tempo de confiança" é igual a Costa, como mostram os cartazes. A campanha do PS não se chama "PS2015", mas "Costa2015". Esta estratégia publicitária é oposta à da coligação. Coloca todos os ovos no mesmo cesto, reduzindo o partido ao líder. Decerto baseada nas sondagens iniciais sobre credibilidade ("confiança") nos líderes, não deixa de ser uma campanha arriscada, para Costa e para o PS. 

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