Fernando Ilharco
Fernando Ilharco 23 de agosto de 2018 às 20:40

Gostar do que se faz

O importante é criar objectivos, aprender, envolvermo-nos e querer ir longe na vida profissional. Neste quadro, o mais provável é que se desenvolva a paixão e a qualidade no trabalho que se tem.

Fazer o que gostamos, trabalhar no que sempre nos interessou, é bom, evidentemente. Realiza-nos e, em geral, é mais fácil fazer um trabalho de qualidade quando se faz o que se gosta; mas não é certo, pode sempre gostar-se do que se faz e por variadas razões fazê-lo mal.

 

A questão, no entanto, é que nem toda a gente, sobretudo no início da carreira profissional, sabe de que trabalho gosta mais. Há quem queira ser engenheiro, músico, profissional dos media ou empresário desde pequeno e que venha mesmo a sê-lo. Mas também há quem não tenha nenhuma paixão profissional desde a infância ou juventude.

 

Hoje em dia, de alguma forma, é consensual a ideia de que a qualidade do trabalho assenta na paixão que temos pelo que fazemos. O ideal, acrescenta-se, é trabalhar naquilo de que sempre gostámos. Mas aos 20 anos muita gente não sabe de que trabalho gosta ou virá a gostar; ou poderá até gostar de diversos trabalhos.

 

Uma investigação da Universidade de Michigan, nos EUA, publicada na revista Personality and Social Psychology Bulletin, constatou que do ponto de vista do sucesso profissional, ter uma paixão no início da carreira ou vir a desenvolvê-la ao longo do tempo pode ter a mesma eficácia. Pouco a pouco, envolvendo-nos mais, atingindo objectivos, sabendo mais, gostando mais e indo mais longe pode ser um caminho de sucesso. Aliás com vantagens: valoriza-se mais o ambiente e os colegas do que o trabalho propriamente dito, dá-se valor ao local de trabalho, ao ordenado, às perspectivas de progressão na carreira, etc.

 

Concluindo, no início da vida profissional não é determinante saber qual a paixão profissional que eventualmente se tenha. O importante é criar objectivos, aprender, envolvermo-nos e querer ir longe na vida profissional. Neste quadro, o mais provável é que se desenvolva a paixão e a qualidade no trabalho que se tem.

 

Professor na Universidade Católica Portuguesa

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