Fernando  Sobral
Fernando Sobral 13 de março de 2013 às 00:01

A comédia da Europa

A pretensa unidade e solidariedade europeia é visível como num "reality-show": cada político e cada cidadão apresenta queixas e culpados diferentes. Numa coisa há consenso: tudo está a ir de mal a pior. Esta Europa não é a soma das suas partes: é o conjunto das suas queixas.

Tornou-se uma comédia sem graça. O falhanço político da troika (UE, BCE e FMI), que está a atirar o sul da Europa para a pobreza total, criou um continente parecido com um puzzle a que faltam sempre peças para completar. Nada que seja grave: a estratégia americana para afundar o euro como moeda concorrente do dólar está a ser seguida com denodo por Bruxelas e Berlim. O que estava escondido é agora transparente: toda a conversa fiada da Europa como um corpo político unido tinha apenas a ver com uma moeda única dependente do BCE e de Berlim e Paris.

 

Com esta política de austeridade sem fim que Europa quer construir Bruxelas? Uma em que todos a odeiam? As eleições italianas, que foram confundidas com a vitória de "palhaços", mostram bem o desprezo crescente dos cidadãos por uma Europa que apenas os torna mais pobres e desesperados. A Europa não age: reage e adia. Os dirigentes políticos de Bruxelas e Berlim parecem um coro de "cheerleaders" disfuncionais. Enquanto adiam e dão mais um ano para cumprir défices absurdos, os membros da troika empurram os problemas para a frente e criam condições para que, à sombra do combate à dívida, os países entrem em depressão política, económica e social.

 

A linha divisória entre os países latinos (incluindo França) e o mundo germânico está novamente a ser definida. Porque na Alemanha também se clama contra o euro. A comédia está a terminar.

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