Fernando  Sobral
Fernando Sobral 25 de dezembro de 2013 às 23:01

A identidade nacional

Há quem julgue que Portugal precisa de um Professor Pardal para nos explicar como nos devemos comportar, como devemos fazer leis, como devemos comer e como nos devemos vestir. Todos gostam do Professor Pardal mas, quase sempre, os seus inventos provocam destruições.

Temos muitos Professores Pardal disponíveis por aí: o professor FMI, a professora Comissão Europeia e a professora Angela Merkel. Todos acham, em nome da dívida e do défice, que Portugal deve ser assim ou assado. Isto enquanto definem as suas estratégias muito próprias para o futuro. Não é preciso ir mais longe: veja-se como parte substancial da elite política e económica alemã está a deslocar-se do chamado "projecto europeu".

 

Em Portugal, há, no entanto, quem julgue que há mentes iluminadas na Europa e nos EUA que pensam por nós. Mas desde que os ingleses nos ofereceram o Tratado de Methuen e nos disseram como deveria ser a nossa indústria que se percebe que não há almoços grátis. Tudo se paga com juros altos.

 

Há quem goste de considerar que Portugal não melhorará nem se reformará se não nos vergarmos como pajens da troika e do seu pensamento iluminado. Mas isso é típico de quem não tem uma ideia numa manga e nada na outra. Gosta de importar ideias e de ter uma feitoria por aqui a representá-las. Nada de grave. Mas há uma identidade nacional que é necessário preservar e valores que não podem ser hipotecados.

 

Portugal, como os outros países latinos, é diferente dos do Norte da Europa. Por isso uns comem bacalhau fresco, outros em filetes e alguns, salgado. Não há uma receita única, como julgam algumas mentes pretensamente cosmopolitas da nossa elite. Nestes dias deveríamos, ao olhar para a mesa, pensar nisso.  

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