Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Opinião
Fernando Sobral fsobral@negocios.pt 28 de Novembro de 2016 às 19:13

A roleta russa de Domingues 

A nomeação da nova administração da CGD começou por ser feita como se António Domingues tivesse ido a um alfaiate requintado: queria um fato à sua medida e o artífice garantiu-lhe que nem pareceria mais anafado nem mais magro.

  • Assine já 1€/1 mês
  • 4
  • ...

A fatiota mascararia qualquer imperfeição. Nada disso aconteceu. António Domingues sai de cena com um fato onde uma manga é mais comprida do que a outra e as calças se transformaram em calções. O aprendiz de alfaiate, chame-se ele Mourinho Félix ou outro mais escondido, refugiou-se atrás do balcão. Uma operação de limpeza do pó da CGD transformou-se numa lixeira política. António Domingues é quem mais perde: um silencioso gestor acreditou que as leis vencem sempre a opinião pública. Equivocou-se. Um banco público não é uma empresa privada. E a força política em Portugal tem mais músculo do que pareceres de doutas pessoas. António Domingues cai vítima das suas fragilidades: as que tinha e as que lhes juntou durante estas semanas. Nem o silêncio de declarações de rendimentos era de ouro, nem a sua alquimia permitia transformar uma entidade pública como a CGD numa outra qualquer. Marcelo e António Costa juntaram-se num desígnio: mostraram-lhe a porta do labirinto onde se tinha metido. 

 

Claro que este processo foi uma desgastante caminhada no lodo onde se foi atolando a CGD, refém de silêncios pessoais e interesses políticos. Mas na CGD não deveria haver, como princípio, nem públicas ou privadas virtudes escondidas por uma carpete legal. As regras eram conhecidas. Alterá-las era subverter o espírito de um banco estatal que deve estar ao serviço da economia nacional e dos seus empresários. E não de jogos de bastidores impossíveis de escrutinar. Num cargo público não se pode nem deve usar uma incineradora para tranquilizar consciências. Por isso o resultado desta trapalhada na CGD é o enfraquecimento da democracia. No fim, António Domingues praticou um diletante exercício de roleta russa defronte dos portugueses. E não sai como um herói.

 

Grande repórter

Ver comentários
Mais artigos do Autor
Ver mais
Mais lidas
Outras Notícias