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Fernando Sobral fsobral@negocios.pt 27 de Novembro de 2016 às 18:35

A união de interesses

Num mundo que sonha com a mão invisível da economia, Marcelo Rebelo de Sousa é a mão visível que abana o berço onde o Governo comemora um ano de vida.

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É o abono de família de António Costa e da sua grande aventura: ter ganho várias batalhas perdendo umas eleições legislativas. Costa, que as sondagens aplaudem, venceu a batalha das expectativas e das percepções. Criou uma fórmula de poder de que a aritmética pura desconfiava. E empurrou a oposição, especialmente o PSD de Passos Coelho, para um labirinto onde este se tem perdido com bravura da suicidária carga da Brigada Ligeira. Não deixa de ser curioso: o Governo, que muitos garantiam ser sol de pouca dura, sobreviveu a todos os vudus. E, pelo contrário, Passos Coelho tornou-se um feiticeiro vítima dos seus feitiços. Vai-se desintegrando, como muito do PSD já percebeu. António Costa, mesmo com erros como o da CGD e a insipiência de reformas e a falta de investimento, não só resistiu, mas cresceu. O primeiro-ministro sabe administrar estes tempos de expectativas.

 

É isso que Marcelo reconhece, quando louva a "estabilidade política", abraçando a coligação. O PR sabe que os frutos para qualquer mudança estão longe de estarem maduros. Este ainda não é o tempo de desavenças visíveis entre PS, BE e PCP. E o PSD precisa de mudar para ser um parceiro audível para uma mudança. António Costa sabe que o acordo à esquerda não é para arrogantes nem para humildes. E a impaciência deve ser gerida a contento. Fazer um acordo é compreender os limites do poder e fazê-lo compatível com os limites dos que acordam algo contigo. É esta estabilidade que foi possível e que tem conquistado os cidadãos. Há sombras no horizonte: sem investimento não haverá riqueza futura; sem contas públicas certas a fraqueza será sempre real; as ameaças externas são variadas, da Europa às agências de "rating". A união de interesses de Marcelo e Costa tem, a prazo, amarras fortes: a estabilidade política e o diabo comum, Passos Coelho. É suficiente.

 

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