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A legião estrangeira

O futebol português é um mundo que vive numa "twilight zone". É um universo paralelo onde não há lugar para crises, dívidas, défices ou "ratings". Ainda bem. De outra forma perderia metade da sua graça. Os principais clubes portugueses vivem a sua fase Legião Estrangeira. Acreditam que devem ser aeródromos onde os jogadores chegam para depois serem distribuídos por diferentes aeroportos europeus. É o nosso "hub" do pontapé na bola. Deixaram de ter uma estrutura central portuguesa.

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Em clubes como o Benfica, o FC Porto e agora até o Sporting, as chamadas escolas de jogadores, que até há algum tempo eram apresentadas como o futuro das SAD, são puro lixo. Poucos dos jogadores dos escalões jovens chegam à equipa principal. E quando isso acontece servem apenas para garantir a quota de jogadores portugueses a que estão sujeitos pelas regras da UEFA.

O ridículo é total. No caso do Benfica, outrora um clube em que era uma complicação entrar um jogador estrangeiro, há neste momento estrangeiros a mais. E é só por isso (num plantel de 27 jogadores, oito terão de ser portugueses) que ficarão alguns futebolistas nascidos por aqui. Não vale a pena investir em jogadores portugueses, parece dizer. Isto é: o Benfica é neste momento um clube que prefere ir contratar qualquer rapaz que dá 10 toques com a bola sem ela cair no chão na Guatemala do que apostar num jovem que utilizou a camisola do clube durante anos nas camadas jovens. O amor à camisola é, neste momento, algo que corre contra o jogador. É uma opção. Tal como o Sporting ir contratar jogadores que poderão matar a ascensão do sr. André Santos ou do sr. Rui Patrício.

A estratégia dos principais clubes, apenas compreensível face aos interesses de empresários e responsáveis em torná-los plataformas comerciais de jogadores, acarreta dois problemas: um dia destes não teremos 11 jogadores minimamente competentes para jogar na selecção nacional. Em segundo lugar Benfica e Sporting (e também o FC Porto) apontam aos jovens jogadores nacionais um único caminho: a emigração antes de tempo.

Percebe-se agora melhor porque é que o Belenenses fez, aparentemente, e a acreditar na imprensa, um acordo em que o AC Milan gere as suas classes de formação em troca de um campo. O decoro deixou de fazer parte de clubes que poderiam fazer melhor para não terem défices descomunais e que os vão aumentando sem consistência nem futuro. Ter mais jogadores portugueses nas equipas não é uma questão de nacionalismo. É de bom senso. Até porque têm sido contratadas aberrações por milhões de euros sem se dar um décimo disso por um jovem nacional que desponte na Liga de Honra. Talvez, no fundo, seja tudo uma questão de percentagens…
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