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Fernando Sobral - Jornalista fsobral@negocios.pt 27 de Fevereiro de 2012 às 01:35

A nova Cortina de Ferro

Antes de ter colocado a cabeça no cadafalso a rainha Maria Antonieta mostrou a sua compreensão pela pobreza dos franceses dizendo: "se não têm pão, que comam brioches".

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Antes de ter colocado a cabeça no cadafalso a rainha Maria Antonieta mostrou a sua compreensão pela pobreza dos franceses dizendo: "se não têm pão, que comam brioches". O mundo mudou e os democratas de hoje têm uma receita típica da cozinha de fusão para a Grécia: se não tiverem pão comam o que tiverem à mão. É uma política refinada que não terão pejo de aplicar a Portugal ou à Espanha. A padaria da UE só serve para alimentar a Alemanha, especialmente quando esta precisava de não cumprir as regras aplicadas aos outros países. Agora, como disse o ministro do interior alemão, a Grécia está a ser convidada a pontapé para sair da UE. Mas a austeridade sem fim e os impostos que matam os recursos fiscais (como Portugal está a começar a perceber) é um caminho minado para a desintegração. A UE já decidiu que quer a Grécia fora do euro. Quer é fazer crer que são os gregos que desejam isso. Há, claro, o "efeito boomerang" de tudo isso: e se a Grécia sair e tiver sucesso, como se sentirão os órfãos da austeridade como Portugal, a Espanha e a Itália? Os países do Norte criaram uma nova Cortina de Ferro: de um lado estão eles, os bons, e do outro os do Sul, os maus. No meio está a França, que tanto pode cair para um lado como para outro. Mas, na sua tentativa de ser um bom aluno, Portugal parece estar a esquecer que, a Sul, se está a criar um novo pólo político onde Mário Monti é claramente o líder. O único capaz de fazer um braço-de-ferro com os países do Norte. Com um trunfo na manga: o proteccionismo económico está a renascer e vai voltar. E desta vez não é como farsa. É como Cortina de Ferro.

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