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A pastilha elástica política

Para os portugueses, aparentemente, a política é uma espécie de pastilha elástica: usa-se e deita-se fora. Os políticos são o seu invólucro. Assim são descartáveis.

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Para os portugueses, aparentemente, a política é uma espécie de pastilha elástica: usa-se e deita-se fora. Os políticos são o seu invólucro. Assim são descartáveis.

Resta a democracia, que aplaudem, segundo se afirmou num seminário realizado na Casa de Mateus. Nos últimos tempos tem-se falado muito do fosso cada vez maior entre políticos e cidadãos.

Pelo meio fica apenas um eco em que cada um escuta o que quer. O caso não é de polícia. Nem sequer de internamento hospitalar. Há, claramente, uma enorme fronteira entre políticos e cidadãos neste país.

E a culpa talvez seja de todos. Os políticos porque vivem num condomínio privado de discursos. Os cidadãos porque normalmente só sabem o que se passa porque viram vagamente algo na televisão.

É por isso que este é um país triste. Cada vez há menos diálogo e mais espaço entre a estrutura que comanda o país e os que pagam militantemente os impostos.

Mas se olharmos para o passado, quando ainda não havia pastilha elástica para entreter a língua dos portugueses, discutia-se também as mesmas coisas: a dívida externa, a educação, a cidadania, o progresso.

Ler Eça de Queiroz ou Ramalho Ortigão é ver o presente. O que mudou? Apenas os nomes. E ninguém faz nada para alterar esse ciclo vicioso.

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