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A paz social

Todos necessitam de histórias que façam sentido.

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Todos necessitam de histórias que façam sentido. E, no meio desta crise sem fim, os portugueses precisam que o seu primeiro-ministro lhes conte uma história que tenha lógica sobre o que se passa, sobre o que o causou e sobre como tudo vai acabar. Passos Coelho não tem de contar nem o idílio da Carochinha nem o da Gata Borralheira. Tem de contar uma história credível que não seja a de uma ceifeira debulhadora de impostos. A promessa de um corte nas despesas sem paralelo nos últimos 50 anos (algo que nos atira para 1960, quando Portugal aderiu ao FMI e iniciou, finalmente, a industrialização) é uma imagem de poder, mas que saberá a óleo de rícino se não for temperada com um pouco de açúcar. Cortar na despesa é urgente mas se a economia não crescer e não gerar emprego estaremos todos a entrar ordeiramente num micro-ondas. O Governo tem um consenso alargado em termos políticos para a austeridade sustentável do país. Pedir que a paz reine faz parte do discurso de qualquer primeiro-ministro em tempos de desconforto. Mas Passos Coelho tem de ter a noção que nenhuma sociedade convive facilmente com uma crise que vai abrir fissuras no cimento social e vai tornar o espaço do Estado social muito mais reduzido.

O conflito social que terá de temer é aquele que foge às forças organizadas de oposição, dos partidos aos sindicatos. Os cortes abruptos vão dinamitar lealdades com o sistema democrático e com o contrato social que vigora, apesar de tudo. Não é fácil garantir a paz quando todos sentem que têm algo a perder. É por isso que Passos Coelho tem de contar uma história credível aos portugueses.


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