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Fernando Sobral fsobral@negocios.pt 15 de Novembro de 2011 às 01:10

A profecia

Nostradamus profetizou que o fim do mundo seria em 2012. Álvaro Santos Pereira, mais modestamente, proclamou de manhã o fim da crise e, à tarde, o início do fim da crise. Como aprendiz de profeta não está mal.

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Nostradamus profetizou que o fim do mundo seria em 2012. Álvaro Santos Pereira, mais modestamente, proclamou de manhã o fim da crise e, à tarde, o início do fim da crise. Como aprendiz de profeta não está mal.

Muitos políticos gostariam de ter o dom das profecias. Alguns tentaram-no, com honroso insucesso: Manuel Pinho em 2006 anunciou o fim da crise. José Sócrates em 2009 proclamou o início do fim da crise. Álvaro Santos Pereira, indeciso, anunciou as duas coisas.

Há, no meio desta confusão, uma única incógnita: sabendo que a crise deve terminar, mais ano menos ano, mais década menos década, ao ministro só faltou anunciar o que os portugueses anseiam: o início da prosperidade.

Sabemos que a crise é um tédio. E que isso tenha motivado Álvaro Santos Pereira a anunciar o seu epílogo. Como é impossível por enquanto decretar o fim da crise no Diário da República online, o ministro disse-o em alta voz. Quando o fez deveria ter ficado afónico. Por precaução. A inexperiência política paga-se cara, como o ministro irá perceber num futuro próximo.

A dupla contradição permitiu mesmo que Paulo Campos tenha reaparecido como assombração para pedir, imagine-se, a sua demissão. Julgava-se que o homem estivesse com uma mordaça na bancada socialista para não enterrar mais o PS. Mas não: fala! O problema da crise é que cria telenovelas e permite interpretações cintilantes. A crise pode ser um tónico ou um tranquilizante. Mas não pode servir para profecias infantis quando não há mais nada para dizer. Para profetas já nos bastam Nostradamus, Ângela Merkel, Gengis Khan, Nicolas Sarkozy e Van Rompuy.

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