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A selecção, a rosa e os espinhos

O futebol permite o orgulho, a satisfação com as coisas bem feitas, a comunhão de valores. Portugal chegou às meias-finais e caiu sem vitórias morais. Caiu porque falhou na marca de grande penalidade. Mas perdeu depois de uma prova em que não virou a cara à luta.

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No futebol só a vitória é divina. Mas, num momento de crise, Portugal, tal como a Espanha e a Itália, souberam olhar para o Europeu como a possibilidade de alcançarem a felicidade. O futebol permite o orgulho, a satisfação com as coisas bem feitas, a comunhão de valores. Portugal chegou às meias-finais e caiu sem vitórias morais. Caiu porque falhou na marca de grande penalidade. O pequeno pormenor que separa a vitória da derrota. Geralmente os portugueses choram a derrota como se ela tivesse sido uma vitória. Há sempre desculpas. Há sempre o Fado. Há sempre a sorte arredia. Mas no futebol ganhar é sempre a vitória da prosa sobre a poesia. Aos portugueses, no entanto, nesta selecção que o Sr. Carlos Queiroz ia destruindo para sempre e que o Sr. Paulo Bento recuperou colando os cacos, esta selecção diz muito. Saiu do pântano e nadou até quase à praia. O que fascinou tanto os portugueses na sua equipa foi não tanto algumas vitórias, mas também a maneira de jogar.

A selecção tropeçou porque o futebol é uma rosa com espinhos. É lindo, mas pica. E nele há sempre vencedores e vencidos. É claro que hoje, com mais frieza, pode olhar-se para o que falhou. O fanatismo não pode esconder as questões. Portugal ganhou um excelso guarda-redes, o Sr. Rui Patrício, que por certo irá navegar para outras águas na próxima época. Tem dois centrais de grande qualidade e intratáveis. E o Sr. Pepe revelou-se um dos jogadores nucleares desta selecção, pelo que motiva. O Sr. Coentrão é um lateral de nível mundial. O meio-campo contou sobretudo com um Sr. João Moutinho polivalente e com fôlego para tudo. Foi ele muitas vezes, mais do que o Sr. Ronaldo ou o Sr. Nani, que dinamizou o ataque. O Sr. Ronaldo foi a intermitência como líder. Esteve ausente nos dois primeiros jogos, foi determinante nos dois seguintes, emigrou contra a Espanha, até no momento dos penáltis onde deveria ter sido o primeiro a marcar.

Mas toda a gestão estudada do Sr. Paulo Bento (onde faltou o risco, por exemplo, contra Espanha de refrescar mais cedo uma selecção que fisicamente caiu a pique no prolongamento) depara-se com três problemas centrais: o banco não tem soluções iguais para alguns jogadores determinantes; não há um ponta-de-lança que faça a diferença nos momentos em que só há uma oportunidade ou duas (o Sr. Postiga é esforçado, o Sr. Hugo Almeida é possante e o Sr. Nelson Oliveira ainda precisa de experiência); e, claramente, não há um Sr. Pirlo para dirigir o jogo, como tem a Itália. A saída do Sr. Rui Costa e, depois, do Sr. Deco deixaram órfã a selecção nesse sentido. E o problema é que quando se olha para o estilhaçado futebol português, cheio de jovens craques estrangeiros, começa a faltar espaço para que valores para esses lugares cresçam. E apareçam na selecção.

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