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A teoria do dominó

Nouriel Roubini disse que a Grécia era o canário na mina de carvão. Se cantar, o mundo parecerá melhor. Se perder o pio, a debandada será desordenada. Os canários cantam e encantam. Esta crise desencanta. Até porque, para lá do destino da Grécia e das...

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Nouriel Roubini disse que a Grécia era o canário na mina de carvão. Se cantar, o mundo parecerá melhor. Se perder o pio, a debandada será desordenada. Os canários cantam e encantam. Esta crise desencanta. Até porque, para lá do destino da Grécia e das pedras de dominó que a ela estão ligadas (Portugal, Espanha, Irlanda), o que ela revela é o fim de uma época. É o estilo de vida motivado pelo crédito sem limites que está em causa. As sociedades vivem de equilíbrios: e é tudo isso que deixou de existir neste mundo onde o crédito fácil criou o melhor do mundo e nos escondeu o pior dos Infernos. Os gregos vão começar o seu purgatório. Portugueses e espanhóis vão perceber como é expiar os pecados da dívida. E a UE vai ter de se olhar ao espelho para ver com mais clareza as suas orelhas de burro. Mas é isso que o Governo português continua sem entender. Portugal precisa de cortar toda a gordura e vai ter de limar parte do músculo. Vai doer. Sócrates não entendeu o óbvio: os mercados especulativos são apenas a carraça que se alimenta do sangue que não soubemos proteger. Eles só são hóspedes quando lhes abrem a porta. Mas Sócrates continua a achar que é um canário que pode viver sem oxigénio e no meio do delicioso dióxido de carbono. Portugal vai ter de separar o trigo dos joio dos investimentos públicos que são mesmo cruciais para o País. Cortar meia auto-estrada é insistir no erro de se pensar que todos são idiotas. Sócrates acha que País foi alvo de uma lobotomia e que já não pensa. A sua mestria como cirurgião revelou-se um fracasso.





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