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Fernando Sobral - Jornalista fsobral@negocios.pt 03 de Janeiro de 2006 às 13:59

À velocidade do caracol

Há 20 anos Portugal entrou na Europa comunitária. Isso representou, por um lado, o fim do ciclo da poupança militante e o começo do consumo democratizado. Mas certas coisas, com o tempo, tornaram-se redundantes.

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A política, entre nós, transformou-se numa outra espécie de «fast food». Não se desfruta, nem se digere. Consome-se. E a classe política move-se à velocidade do caracol para mudar isso. Insiste em oferecer à população portuguesa, desorientada sobre o rumo que há-de seguir, uma bússola fora de prazo. José Sócrates acredita que é protegido por um escudo invisível. Mas 2006 será um ano crucial para o seu Governo. Números de trapézio verbal como «modernidade», «investigação» ou «qualificação», que fazem parte do seu discurso como batatas fritas congeladas, não vão servir para nada. Porque raramente deixam de ser «slogans» para se tornarem em algo de concreto. Para a oposição, após as presidenciais, também será um momento de elevar o nível das propostas. No Portugal de 2006, na política e em economia, o êxito e o drama vão conviver. Porque é impossível continuar a alimentar o país de palavras ocas como se elas fossem o gás natural da nossa sobrevivência. Continuamos à espera há muito tempo. Só que as palavras passam e a crise continua.
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