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Fernando Sobral fsobral@negocios.pt 21 de Dezembro de 2010 às 11:43

A voz da inutilidade

Os primeiros debates televisivos com os candidatos presidenciais mostram que não há trunfos escondidos.

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Fernando Nobre, Defensor Moura e Francisco Lopes fazem o seu simpático circuito de manutenção. Restam, pois, Manuel Alegre e Cavaco Silva. Este gere a sua reeleição porque só ele garante alguma sobriedade no pantanoso mapa político nacional. De Manuel Alegre esperar-se-ia mais. A crise económica é sempre um bom capital para se fazer oposição ao poder. E Cavaco é, neste momento, um dos símbolos do poder. Alegre poderia ser o eco da voz dos deserdados, dos excluídos e daqueles que começam a sentir na pele a crise. Só que a política não é um conjunto de estrofes sensíveis. E Alegre não pode ser a voz da rebelião. Porque a seu lado está Sócrates, o principal responsável pela crise em que vivemos e o pastor das medidas que farão do País pele e osso. Alegre está perdido no seu próprio labirinto. Nem é poder nem é contra o poder. Ou melhor, é o mensageiro do poder executivo. Sendo assim, nunca pode ser a voz do que se reclama. É por isso que o seu discurso contra Cavaco, como se ele fosse o maior responsável pela crise, é um longo bocejo. Alegre não é oposição a nada. É apenas um colchão que abafa as vozes da verdadeira crítica a Sócrates e à sua política. Alegre não é um candidato da esquerda. É a voz do centrismo institucional. Se quisesse ser a voz do País desesperado teria de ser mais crítico de Sócrates e menos crítico de Cavaco. Alegre é a voz útil de Sócrates para tentar mostrar que está ao mesmo tempo no poder e na oposição. Daí a inutilidade da sua candidatura.
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