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À beira do abismo

Em "Mulheres à beira de um ataque de nervos", de Pedro Almodóvar, Paulina, a mulher a quem Ivan dizia que tinha toda a razão, gostava de estar errada.

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Com a Espanha à beira da loucura, no meio da crise de nervos europeia, já ninguém sabe se quer estar certo ou quer estar errado. Dizia-se que se a Nova Democracia vencesse, a Grécia salvava-se. E agora vê-se António Samaras quase a chorar defronte de Bill Clinton. Mariano Rajoy acreditou que, se vencesse, os mercados e a Alemanha torná-lo-iam um santo. Errou e foi para o purgatório.

Todos os políticos têm o seu Rubicão. Ou o atravessam e vencem ou ficam na margem com medo e acabam por se suicidar. O Rubicão da Europa é a Espanha. Ou o atravessa para resolver a crise ou caminha para o suicídio. Se a Espanha cair, e o pedido de resgate deve chegar até meados de Setembro, abre-se o dique onde, a seguir, podem ser levados a Itália e a França. Portugal, mesmo como o mais bem comportado dos alunos, não escapará à inundação.

O euro está a semanas decidir a sua vida ou morte. Ou a criação de um euro para o norte da Europa e a saída dos países do sul. Só que se está a brincar com o fogo. A Espanha das autonomias falidas e do desemprego em 25% não é um país dos brandos costumes. É uma bomba-relógio social. Quando Mário Draghi vem dizer que "o BCE não existe para resolver os problemas financeiros dos Estados" quer dizer que é uma ficção neste momento em que estamos à beira do desastre. Para que serve então um banco central? Para que não haja inflação quando já não existir esta Europa e este euro? A Europa está à beira do abismo. Dará o passo em frente?

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