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Fernando Sobral fsobral@negocios.pt 18 de Fevereiro de 2009 às 13:43

Avô Cantigas

Teixeira dos Santos é o nosso Avô Cantigas. Com ele podemos confiar que, quando tudo parece mau, há sempre uma frase bondosa para ser dita e para nos acalmar.

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Teixeira dos Santos é o nosso Avô Cantigas. Com ele podemos confiar que, quando tudo parece mau, há sempre uma frase bondosa para ser dita e para nos acalmar.

A Teixeira dos Santos pode contar-se um segredo, por exemplo que o crescimento da economia portuguesa em 2008 foi zero, e ainda assim dele só se vê um sorriso nos lábios, porque ele já viu demasiadas vezes essa história para se surpreender. Há alguns meses, todas as estimativas eram luminosas e a crise parecia-se com o anticiclone dos Açores: o bom tempo continuaria em Portugal, enquanto a Europa seria varrida por chuva e os EUA por tempestades tropicais.

Teixeira dos Santos contou essa história como se estivesse a recitar "A Cabana do Pai Tomás". Todos dormimos mais descansados, mesmo quando os números foram derrapando. Só Teixeira dos Santos nos seria capaz de contar a história de embalar da economia portuguesa. No fundo, às crianças, nunca se contam histórias de horror. É essa a missão do ministro das Finanças: contar-nos histórias bonitas, em que o fim é sempre feliz.

É reconfortante termos um Avô Cantigas como ministro das Finanças, que canta: "eu sou o Avô cantigas, todas as crianças são minhas amigas". Pode-se substituir "crianças" por "contribuintes", mas isso não muda a face familiar do ministro. Ele ainda acredita que todas as crianças são suas amigas. E que todas as estatísticas são suas cantigas. Por isso não surpreende que não tenha ficado surpreendido com os números do INE. Se ficasse, não era o nosso orgulhoso Avô Cantigas.

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