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Fernando Sobral - Jornalista fsobral@negocios.pt 17 de Novembro de 2010 às 12:04

Chicotada psicológica

Em tempos de crise, as palavras deixaram de ter valor.

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É por isso que há tantos dirigentes políticos a falar sem tento na língua. Julgam que é falando muito que evitam a desvalorização da sua presença. As palavras, leva-as o vento, dizia o poeta. Agora é diferente: as palavras, digerem-nas os mercados. Portugal deixou de dar valor às palavras. Utiliza-as sem rigor. Teixeira dos Santos, desde que deixou de acreditar que era ministro das Finanças e que passou a sonhar que tinha um grande futuro político, consegue a proeza notável de dizer coisas de manhã e de anunciar o contrário à tarde. Não é excesso de eloquência: é falta de ideias concretas. Podemos estar a pedir uma grande coligação, mas se ela for o repositório da dialéctica entranhada na classe política nacional, estaremos a institucionalizar um manicómio. Um governo forte, que é o que Portugal precisa, quer ideias concretas. Não quer um executivo que ao pequeno--almoço peça o TGV, ao almoço o dissolva em alka-seltzers e à noite seja um papão. A chicotada psicológica de que o País necessita tem a ver com rigor, honestidade, ética e inteligência estratégica. E com a noção das realidades. Durante o ano de 2011, Portugal vai ter de ir ao mercado financiar as suas débeis contas. Tarefa hercúlea. Ou seja, se estamos à beira do abismo, é melhor mergulhar nele já e revolver a lama que entope o País. A política salta-pocinhas deste Governo atingiu o delírio total. Julga agora que é Shakespeare a declamar se é ou não é Governo. O problema é que a única certeza que há é a de que esta situação é insustentável.




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