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Fernando Sobral - Jornalista fsobral@negocios.pt 25 de Dezembro de 2011 às 23:30

Choque com a realidade

Este vai, muito provavelmente, ser o último Natal em que os maiores clubes de futebol portugueses ainda vão festejar como velhos aristocratas. Falidos mas com crédito. Sem dinheiro real mas com activos. Não são apenas os Estados que ficaram sem dinheiro e crédito. Os bancos também. E os clubes de futebol seguem a mesma via para a frugalidade.

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Este vai, muito provavelmente, ser o último Natal em que os maiores clubes de futebol portugueses ainda vão festejar como velhos aristocratas. Falidos mas com crédito. Sem dinheiro real mas com activos. Não são apenas os Estados que ficaram sem dinheiro e crédito. Os bancos também. E os clubes de futebol seguem a mesma via para a frugalidade. É um choque frontal com a realidade. Dura é certo, mas que alguns compreendem, como o fez há dias o sr. Domingos Paciência: "As dificuldades são muitas, nenhum clube tem muito dinheiro para poder comprar nesta altura". Não tem e dificilmente terá num futuro próximo. Por isso em Janeiro ou em Junho, FC Porto, Benfica e Sporting vão vender alguns dos seus principais craques. E vão ter menos dinheiro disponível para adquirir potenciais craques que poderão, ou não, valer o seu peso em ouro.

Não é por acaso que nos últimos anos o mercado de aquisições na Europa tem vindo a mudar nos últimos anos. Os grandes compradores são agora clubes que são pertença de magnates que vêm para o futebol por diferentes interesses (veja-se o Manchester City, o Chelsea ou mesmo o Manchester United) ou alguns cuja imagem e lealdade de adeptos os tornam marcas globais (Real Madrid ou Barcelona). Clubes que se tornaram montras de jogadores do Brasil ou da Argentina, como os de Portugal, têm assim menos espaço para errar nas contratações cada vez mais caras nos países do hemisfério sul. E, depois, grande parte dos lucros vão para o bolso de intermediários que ficam com as comissões por conta da compra das viagens de avião de jogadores de um lado para o outro. O modelo vivia, até agora, do crédito fácil. Mas esse acabou. E os clubes vendedores, brasileiros e argentinos, já pedem valores muito simpáticos pelos seus jovens craques. Até porque, no caso do Brasil, o crescimento económico começa a permitir que as vendas de jogadores não sejam ao desbarato.

É neste contexto de falta de liquidez e crédito que os clubes portugueses vão ter de se adaptar. E estar mais vendedores do que compradores. Vão ter de filtrar melhor as suas aquisições. E vão ter de vender os seus mais esbeltos anéis. O futebol deixou de ser o mundo romântico que o sr. George Best uma vez descreveu como tendo sido a sua vida: "gastei um monte de dinheiro em bebida, mulheres e carros rápidos. O resto, simplesmente gastei-o mal". Os clubes de futebol portugueses já gastaram muito dinheiro mal, em jogadores de duvidosa qualidade que custaram fortunas. Agora vão começar a ter de contar o dinheiro. E a fazer a lista de vendas: o sr. Wolfswinkel, o sr. Gaitán, o sr. Hulk e tantos outros.

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