Fernando  Sobral
Fernando Sobral 19 de março de 2013 às 00:01

Drácula em Chipre

A chamada Europa da solidariedade e da igualdade é hoje um castelo assombrado por aprendizes de Drácula. Foi numa sala fechada a cadeado que 17 ministros das Finanças adeptos da série televisiva "True Blood" se reuniram para decidir que cada cidadão com contas num banco de Chipre seria aliviado até 9,9% do dinheiro que tem depositado.

Os alemães tinham a desculpa perfeita para o desvario: os russos têm ali enormes somas de dinheiro e, portanto, o dinheiro dos contribuintes alemães não seria usado para ajudar a salvar quem usa Chipre como máquina de lavar.

 

O Governo português, sempre limitado na altura de esclarecer os seus cidadãos, não se dignou a informar qual a sua opinião sobre o assunto. Mas ele revela uma coisa: a Alemanha transformou o Sul da Europa no seu pátio da retaguarda. E faz subentender uma outra: o Norte da Zona Euro disse aos seus membros do Sul que o preço a pagar para ficar na moeda única é exorbitante. A Europa é Angela Merkel. E o Sul passou a ser a terra onde Drácula tem ordem para sugar os cidadãos até ao infinito.

 

Nem todos os que são atingidos por esta medida são russos mafiosos. São pessoas que trabalharam anos para terem uma segurança. O que quer a Alemanha? Que os cidadãos do Sul acorram aos ATM e tornem as suas economias num caos? Parece ser esse o objectivo. Se esta pilhagem aparentemente legal, decidida por Bruxelas e Berlim, se aplica hoje a Chipre, por que não amanhã a Espanha ou Portugal?

 

A Europa soltou Drácula em Chipre e parece acreditar que tudo não passa de um "reality-show". As eleições de Setembro na Alemanha não podem explicar tudo. Sobretudo o espezinhar do sul da Europa como se fosse um capacho.   

pub

Marketing Automation certified by E-GOI