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Fernando Sobral - Jornalista fsobral@negocios.pt 21 de Outubro de 2005 às 13:59

E agora, Aníbal?

O silêncio de Cavaco Silva era o último tabu existente em Portugal. Depois dele dificilmente haverá outro que dure meses sem fim. Sempre se disse, entre nós, que o calado é o melhor. Cavaco, calado, esperou até ao último segundo para anunciar que avança.

Aníbal Cavaco Silva não é Aníbal, o general cartaginês, que lutou contra o Império Romano, reformou a administração e combateu os abusos da administração. Quando esteve prestes a conquistar Roma, entregou-se à vida fácil e à moleza. Ficou na história a frase «as delícias de Cápua» para explicar o que o perdeu. Mas Aníbal Cavaco Silva pode beber nos ensinamentos do general Aníbal.

Gestor de silêncios, escutou o ensurdecedor clamor dos que lhe pedem que ponha ordem neste sítio. O tabu foi a estrada menos frequentada que o leva às portas de Belém. Mas, agora, Cavaco não chega num carro incógnito para se afirmar como líder. É esperado com uma passadeira vermelha para caminhar triunfante. Há, no entanto, algo importante a reter.

Na política o silêncio é a melhor defesa. Mas, a partir de agora, Aníbal tem de começar a falar. O capital que o silêncio permite garantir é fácil de gastar na caixa registadora da política diária. É essa gestão que será a sorte ou o azar de Aníbal.

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