Fernando  Sobral
Fernando Sobral 30 de janeiro de 2013 às 00:01

Exílio forçado

Ciclicamente a emigração em marcha forçada parece ser o único remédio capaz de curar a incapacidade da elite política portuguesa de tornar Portugal um sítio agradável para viver.

Por isso ninguém se admirou quando Pedro Passos Coelho declarou, sem uma lágrima no canto do olho, que uma das soluções para a crise portuguesa era a debandada geral. Os portugueses, sem nada para perder, fizeram a vontade ao novo ideólogo de São Bento.

Os dados são escassos mas, aparentemente, só nos últimos dois anos, 250 mil foram em busca de um local onde seja possível viver sem que a guilhotina do desemprego e a dos impostos (para quem tem trabalho) não corte definitivamente a raiz à esperança.

 

Estamos a voltar, alegremente, aos anos 60. A energia e a criatividade de qualquer português com força vai assim aumentar a riqueza de outros países. E, desta vez, vão os que estudaram. O Governo parece feliz por a inteligência pedir boleia ao primeiro avião. Não é a primeira diáspora, nem será a última. Fernando Pessoa explicou tudo isso na "Ode Marítima". Para fugir ao atraso os portugueses olham para o mar. São condenados ao exílio, como se isso fosse uma maldição.

 

Portugal construiu um império global, que foi baseado no comércio e na religião, mas nunca conseguiu organizar-se neste pequeno rectângulo. Todas as riquezas ficaram sempre à mesa de uma pequena elite. O pior é que os portugueses que emigram vão dispersar-se pelos sete mares. E Portugal nunca irá usufruir deles, porque nunca liga às suas comunidades. Até o amparo do apoio cultural lhes tira. Este Governo não é diferente: para ele mais emigrantes são apenas menos preocupações financeiras. 

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