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Fernando Sobral - Jornalista fsobral@negocios.pt 16 de Novembro de 2010 às 12:40

Junta de salvação nacional?

Quando o mundo espirra, Portugal pede uma junta de salvação nacional.

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Como se ele fosse o antibiótico que salvasse, durante algum tempo, as nossas doenças crónicas. Não é. Um Governo de salvação nacional, como alguns neurónios bem pensantes andam a pedir como se fosse o milagre que salvaria o sítio, só esconderia o essencial. Em momentos de crise como este, o consenso forçado não é uma vitória: é a estratégia dos derrotados. Se Portugal se colocar atrás de uma nova Padeira de Aljubarrota, não derrotará esta crise. Salvar Portugal não é criar um Governo de salvação nacional. É ter um Governo sólido, o que não é caso neste momento. Que governe e que tenha ideias para encontrar uma nova fronteira de esperança. O mundo seria um paraíso se todos parecessem concordar com toda a gente. Viver-se-ia no pouco admirável mundo novo que Aldous Huxley nos legou no seu livro. Mas sem divergências não existiriam janelas abertas para novos desafios. Sem opiniões diferentes, teríamos, a prazo, o pensamento único. Vivemos na idade do medo. Mas quando se cria um círculo fechado de opiniões preocupadas na conciliação de interesses perde-se a capacidade para responder a novos desafios. A razão porque nada funciona é porque estas pretensas soluções de salvação nacional são criadas pelas mesmas pessoas que criaram as condições para que o medo se instalasse. Na sua bela simplicidade, um Governo de salvação nacional quereria dizer que já estávamos perdidos. Seria a grande tragédia nacional. Numa altura em que necessitaríamos de agilidade, seríamos transformados numa jangada de pedra.



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