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Fernando Sobral fsobral@negocios.pt 14 de Março de 2013 às 00:01

O ganso português

O célebre ministro de Luís XIV, Jean-Baptiste Colbert, aconselhava: "A arte da tributação consiste em depenar o ganso, obtendo o maior número possível de penas, levando o menor número de bicadas".

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Para o Governo, essa arte atingiu o requinte absoluto: consiste em depenar o ganso e tentar que ele fique mudo. Para o executivo, governar é uma versão intelectual do Clube do Bolinha: portugueses não entram nele! O Governo, de mão dada com a inefável troika, continua a acreditar que a austeridade é a única via para o futuro. Faz tudo em conclave fechado: negoceia e não partilha com a sociedade. Não admira que tenha conseguido que empresários e sindicatos se tivessem unido, pela primeira vez, contra esta espiral de demência.

 

Até agora o Governo tentou utilizar o medo e a culpa alheia como discurso oficial para não explicar nada aos portugueses. Exemplo mais recente: se vamos ter mais um ano para equilibrar as contas, qual será o défice negociado para 2013 e para 2014? E esses célebres quatro mil milhões: quando é que os portugueses saberão de onde sairão? A letal simplicidade com que o Governo tenta explicar as suas acções esquece o mais óbvio: só com crescimento económico poderá diminuir os impostos. E crescimento é coisa que não se vê.

 

Um "paper" do FMI, distribuído no fim-de-semana, coloca o dedo na ferida: ao contrário do que diz Bruxelas e Berlim os programas de consolidação orçamental aumentam, no curto prazo, a dívida. Algo que já estávamos a ver desde há algum tempo. Em vez de pedirmos menos, pedimos mais. E com isso o ganso, além de perder as penas, começa também a perder a carne. Só Passos Coelho não vê isso.

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