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O autocolante de Sócrates

José Sócrates surgiu na política como um aloe vera. Teria propriedades medicinais e rejuvenesceria a sociedade portuguesa. Mas também é uma espécie de cacto: pica e pode secar por excesso de água. Sócrates secou pelo excesso de Universidade Independente.

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Ele é um cacto típico do país: carrega um excesso de esperança e leva às costas quilos a mais de desilusão. Está a sofrer uma erosão de grandes dimensões. Representa um efeito do aquecimento global na sua versão local. Tem a seu favor a resposta típica dos portugueses a todas as crises: nunca é demasiado crítico ou radical. Sente, até, algum enternecimento por quem é acusado de algo. Mas o problema de Sócrates é outro. A sua licenciatura é, para os portugueses, uma questão de compostura de um líder: deve usar gravata ou lacinho, deve ser doutor ou engenheiro? Mas, para Sócrates, esta questão não o deixa dormir. A Universidade Independente será a sua cama de espinhos. A Ota, as escolas e os hospitais que fecham ou a saída do Estado de milhares de funcionários passarão por quatro anos de poder como uma andorinha pela Primavera. Todos esperam que cheguem as próximas. Mas a licenciatura é já a grande questão política que vai marcar esta legislatura. Não será qualquer grande obra de regime ou reformas do Estado que assinalarão a sua passagem por São Bento. Sócrates ficará na história por um único facto: uma licenciatura. Um diploma será o autocolante do primeiro governo de Sócrates. A política é assim: fria e cruel.
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