Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Opinião
Fernando Sobral - Jornalista fsobral@negocios.pt 12 de Setembro de 2006 às 13:59

O canto da sereia dos pactos

Os pactos de regime começam a soar como cantos de sereia. Parecem soluções infalíveis para os males do país. Talvez sejam. Mas podem ser o encantamento que pode fazer perder o tino aos marinheiros de serviço, Sócrates e Marques Mendes.

  • Assine já 1€/1 mês
  • ...
O pacto de regime para a justiça foi, para Sócrates, a forma de adormecer a oposição. Era um acordo leonino: o PSD dava o beneplácito e o Governo poderia dizer, mais tarde, que tinha reformado o sector. Para Sócrates, um pacto de regime é um acordo de cavalheiros. Dois ou mais pactos assemelham-se a um motim. E se há coisas de que o líder do Governo não gosta é de demasiado ruído à sua volta. Na sua estratégia de fazer de Marques Mendes politicamente afónico, Sócrates não contou que Cavaco falasse com um timbre de voz acima do que lhe é normal. Ao pedir mais pactos de regime, Cavaco colocou Sócrates como vítima do seu anterior sucesso. E deu força a Marques Mendes na sua estratégia de cercar Sócrates de compromissos. Cavaco, sob a capa de fomentar a paz, está a alimentar um braço de ferro entre Sócrates e Marques Mendes. Algo que o primeiro dispensaria. E que o segundo vê como uma oportunidade de atingir o palco. Cavaco sorri. A proposta de novos pactos de regime serve-lhe para deslocar o centro de gravidade política de S. Bento para Belém. Tudo o que Sócrates desejaria evitar. Até porque, recusando agora pactos sobre sectores fulcrais, o primeiro-ministro poderá aparecer no futuro como o mau da fita.
Mais artigos do Autor
Ver mais
Outras Notícias