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O circo dos pobres

Para se fazer parte de um Museu de Cera tem de se ser famoso. Para se fazer parte da elite política europeia tem de se ser um boneco educado que não pense e que, sobretudo, só repita frases feitas.

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A Europa deixou de ser forjada no pensamento. É gerida por tecnocratas, uns disfarçados de políticos, outros de ministros das Finanças. É neste Museu de Cera que, quem se move, arrisca-se a tornar-se uma estrela do firmamento.

 

Num palco político onde para se ter sucesso eleitoral tem de se ser um actor capaz de emocionar os cidadãos, não admira o sucesso do populismo. A Europa, hoje um verdadeiro deserto de ideias e de criatividade, tornou-se o circo dos pobres. Não admira por isso que José Sócrates, que deixou Portugal como tragédia, regresse agora como farsa. Só que a comédia em que se transformou a política portuguesa, com um Governo que só espera uma trovoada para ficar torrado e uma oposição que necessita de dançar sobre si própria, propicia que qualquer aprendiz de feiticeiro faça uma "tournée" televisiva como uma estrela rock e acaba em primeiro lugar do top de vendas.

 

A aridez dos discursos políticos, a falência do modelo baseado na austeridade que gera desemprego e o suicídio do contrato social onde a classe média era o sustentáculo da democracia, permitem a criação de bolhas especulativas em forma de populistas. José Sócrates é pirilampo mágico deste buraco negro onde a Europa desaparece. Como modelo económico, social e, sobretudo, moral. Quando a política deixa de oferecer esperança, as postas estão abertas para os oráculos do apocalipse. No meio do colapso do Governo, o regresso de Sócrates parece o de Nostradamus. Finge ser o futuro. 

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