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O congelamento

O Governo começa a parecer-se demasiado com o Abominável Homem das Neves. Congela tudo à sua volta. Pior: às vezes exerce os seus poderes de arca congeladora sem que se veja, como aconteceu com o congelamento das reformas antecipadas, feitas no segredo de alguns deuses.

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O Governo começa a parecer-se demasiado com o Abominável Homem das Neves. Congela tudo à sua volta. Pior: às vezes exerce os seus poderes de arca congeladora sem que se veja, como aconteceu com o congelamento das reformas antecipadas, feitas no segredo de alguns deuses.

Sabe-se que os parceiros sociais servem, na óptica dos executivos, para umas fotos turísticas de coesão que se podem vender aos mais distraídos, mas o Governo escusava de ser tão cruel. Poderia ter avisado sobre o que ia fazer.

É certo que as crises têm sempre o condão de fingirem que algo se move quando os vícios de sempre se mantêm estáticos. Repare-se num pormenor: Passos Coelho foi dizer em língua alemã que pode não regressar aos mercados em 2013. Começa a haver no Governo uma política de melancia: um discurso para dentro e outro para fora. Ao dizer fora o que nega dentro de portas Passos Coelho faz o que jurara renegar.

Em Portugal não há ilusões: dialogar de forma transparente com a sociedade é uma dor de cabeça para qualquer Governo. Olhe-se para outro exemplo: a Maternidade Alfredo da Costa é o refúgio seguro das parturientes. Agora solta-se a notícia que pode acabar, dividindo-se as equipas por diversos hospitais.

Há sentido numa decisão destas? Destrói-se a melhor unidade portuguesa, em vez de ser ela o centro? Para quê? Por razões financeiras? O Governo parece estar na fase de conseguir congelar os seus próprios neurónios. E, com isso, transformar em gelo o próprio país. Sem usar o bom-senso e ao olhar só para a contabilidade o Governo está a assemelhar-se ao Yeti: há quem diga que existe.

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