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Fernando Sobral fsobral@negocios.pt 11 de Julho de 2011 às 12:00

O golpe baixo

Muhammad Ali ganhava porque, no ringue, bailava antes de desferir os seus socos sufocantes. Pedro Passos Coelho julgou que, contra a Moody"s, era suficiente a simpatia ideológica. Agora sentiu a dor. Sussurrou: foi um murro no estômago.

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Foi mais do que isso: foi uma chuva de socos numa ideologia que se julgava à prova de bala. A Moody's não é uma borboleta: é um animal predador. Só ataca com golpes baixos. O primeiro-ministro sentiu mais o soco porque julgou que a Moody's tinha simpatias ideológicas com o seu Governo. Enganou-se: a Moody's só é liberal quando quer e interessa aos seus accionistas.

O seu liberalismo é o voo de uma andorinha: muda rapidamente de direcção. A Moody's dança ao sabor da ideologia leninista: um passo à frente, dois à retaguarda. É hoje o braço armado dos EUA no seu combate cada vez menos discreto contra o euro. É este complexo mundo de interesses que cercou Portugal e, sobretudo, a UE.

O murro no estômago que Passos Coelho sentiu foi, desta vez, um golpe de Bruce Lee na desesperante Europa. Ainda o primeiro-ministro não recuperou o fôlego e já Berlusconi sente a Brisa dos socos à sua volta em busca de outro nocaute. E este também nunca foi simpatizante marxista.

No mundo da Moody's não há lealdades ideológicas: todos os almoços devem render juros. A Europa tornou-se o saco de pancada perfeito para o jogo dos donos da Moody's. Aquela acordou tarde e veremos se saltará da cama a tempo.

Portugal é um adversário menor para os interesses americanos. Mas o seu grito de dor poderá ser uma sirene. A Europa tem de responder como Muhammad Ali. Ou perecerá.

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