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O grande mito

O Grande Português não é uma estrela da MTV. É um dos mitos que são típicos no Portugal que deseja ser salvo. Seja por Costa Cabral, João Franco, Afonso Costa, Sidónio Pais, Salazar ou Cunhal. São mitos que, para muitos, partiram para o exílio forçado e q

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O problema é que Portugal acredita em quem o salve da "choldra", essa classe difusa de políticos que suga o país, na célebre expressão de Eça de Queiroz. Há quem não perceba a vitória de Salazar, a começar pela esquerda, que considera que ele é uma perversidade histórica. Assim como a direita considera Cunhal um mal entendido. Salazar é, por exemplo, uma máscara que antecede, mas que também sobrevive, a quem pastoreou a pátria durante décadas. Ele é o sonho adiado, mesmo que seja em forma de ditador. E todos os mitos em que os portugueses acreditam não são, mais ou menos, líderes musculados?

É no meio do vácuo que surgem "pacificadores do caos". É no meio da confusão que se mexem homens providenciais que, à falta de elites dirigentes, resolvam, ou finjam resolver, os problemas do país. Salazar foi um deles. Para uns foi um salvador. Para outros um ditador. Mas ele simbolizou a mudança que as massas queriam, depois do "racha-sindicalistas" Afonso Costa. Em "Os Grandes Portugueses" a democracia televisiva substituiu a democracia eleitoral. O sms vale hoje mais do que o voto. Mostrou algo mais temível que a vitória de um ditador: vem aí o mito de um novo salvador, o Big Brother.

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