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Fernando Sobral - Jornalista fsobral@negocios.pt 17 de Dezembro de 2004 às 13:59

O guarda-chuva da «instituição»

O sr. Luís Filipe Vieira é um homem carismático. Nunca diz: «corrijam-me se estiver errado». Parece estar sempre a dizer: «tenho razão, por isso não me contradigam».

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Os exemplos abundam: prometeu uma «equipa maravilha» e saiu da cartola um grupo de coelhos esqueléticos; trouxe para o clube, para patrão do futebol, um homem que sabe do ofício (isto é, que teoricamente, sabe comprar e vender jogadores) e está a ver-se: saiu o sr. Tiago por uma ninharia e chegaram à luz o sr. Paulo Almeida, que corre pouco ou nada, o sr. Alcides, que veio lesionado, o sr. Everson, que assim que começou a jogar se lesionou, dois guarda-redes, porque como lá estava o sr. Moreira era preciso titulares para aquecer o banco e as bancadas, e ao que parece uma mão cheia de jogadores do Alverca.

Agora, após a vergonhosa derrota com o Belenenses, alguns adeptos do Benfica apedrejaram o autocarro do clube. O sr. Vieira, com todas as certezas do mundo, disse que o que aconteceu foi que «apedrejaram a instituição». Isto é: não apedrejaram a exibição da equipa, o seu patrão para o futebol ou o seu presidente. Não: foi a instituição. Como se esta não tivesse um nome. Exactamente o sr. Luís Filipe Vieira.

Apedrejar é um acto cobarde. Ninguém duvida disso. Mas o que está em causa é uma equipa que mete dó, um clube que diz que compra o sr. Robinho e adquire ao quilo e que, ainda por cima, se vai dando ao luxo de isolar um jogador como o sr. Sokota, para este assinar um contrato.

Não há soluções pragmáticas para este constante refúgio do sr. Vieira atrás da «instituição», como se ela fosse um escudo invisível para os desastres sucessivos que vão minando a sua direcção. Qualquer dia o Benfica é um clube com as receitas hipotecadas até ao próximo século, sem jogadores e, especialmente, sem qualquer credibilidade.

Algo que, desde o sr. Manuel Damásio, se tem feito com pompa e circunstância.

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