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Fernando Sobral fsobral@negocios.pt 19 de Abril de 2010 às 11:37

O ministro sem pasta

Houve uma época em Portugal em que eram comuns os ministros sem pasta. Ou seja, eram ministros porque tinham de o ser. Não porque estivessem no Governo a fazer o que quer que fosse. Esta tentação ministerial chegou agora ao futebol. O sr. Costinha...

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Houve uma época em Portugal em que eram comuns os ministros sem pasta. Ou seja, eram ministros porque tinham de o ser. Não porque estivessem no Governo a fazer o que quer que fosse. Esta tentação ministerial chegou agora ao futebol. O sr. Costinha ficou na história do futebol com a alcunha de "ministro", nos tempos em que fazia parte da espinha dorsal do FC Porto. Não era chamado assim pelas suas capacidades oratórias, diplomáticas ou de gestão. Mas porque se vestia como um ministro. Essa parece ser a razão suficiente para ser o responsável pelo departamento de futebol do Sporting. Para além de ser sportinguista desde pequenino.

Habituado à organização do FC Porto onde há uma voz única, o sr. Costinha pensou erradamente que no Sporting a ordem estabelece-se através da voz forte. Foi essa a táctica que utilizou com o sr. Izmailov. E foi a que voltou a repetir após o jogo na Luz onde o Sporting perdeu, mas não porque o sr. Luisão não foi expulso: foi derrotado porque a equipa leonina foi inferior à do Benfica.

As suas declarações sobre as "perseguições" ao Sporting seriam insignificantes se elas não tivessem implicado o silêncio coercivo do sr. Carvalhal e dos jogadores. E aqui o sr. Costinha faz papel de subsecretário de Estado e não de ministro: tenta calar aqueles que são os intérpretes do futebol como espectáculo. Como visão empresarial do futebol, a estratégia do sr. Costinha é a matança da galinha dos ovos de ouro.

Não se ganham campeonatos a mandar calar jogadores e treinador e a substituir o sr. Carvalhal nas suas costas, quando a equipa jogava o seu melhor futebol. Não se afasta um potencial treinador, como o sr. Villas Boas, porque ele faz parte da órbita de um empresário que não faz parte das amizades de Alvalade. Mas compreende-se: o sr. Costinha, sob a capa de ministro, está ali para fazer de subalterno.

O verdadeiro ministro de Alvalade é o sr. Jorge Mendes. Será ele que fará, desfará e disporá dos chamados "activos" do Sporting. Ao sr. Bettencourt está reservado o papel de Rainha de Inglaterra. Lugar nobre, mas sem poder. O sr. Costinha é o ministro sem pasta de Alvalade. E é isso que é trágico na organização do futebol português: contratam-se antigos jogadores para servirem de bandeiras que outros sopram para fazer flutuar. O sr. Costinha mandará em Alvalade o que quem está nas sombras decidir. E, claro, irá a conferências de imprensa falar por todos e calar os jogadores e treinador. Mas foi para isso que foi contratado. No tempo livre pode continuar a vestir-se como um ministro.






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