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Fernando Sobral fsobral@negocios.pt 22 de Dezembro de 2008 às 13:42

O novo Bartolomeu Dias

As crises criam oportunidades. Os novos negócios nascem nestes períodos de desconfiança e de descrença.

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As crises criam oportunidades. Os novos negócios nascem nestes períodos de desconfiança e de descrença. Em Portugal, a crise também permite que o Governo cumpra a sua função fotossíntese. Parece iluminado por ela. A crise alimenta este Governo.

E, curiosamente, tira o pão da boca à oposição. A crise trouxe a Sócrates a luz no meio dos túneis onde as suas pretensas reformas se perderam em trapalhadas. A crise é a ideologia e o pensamento que Sócrates nunca teve nem tem. A crise é o melhor para o presidente da administração do Estado, o cargo que efectivamente exerce. Depois de meses a reafirmar que iria ultrapassar, só com uns salpicos, a tempestade financeira e económica internacional, Sócrates percebeu que era melhor seguir à boleia do vento. Por isso, mansamente, anunciou que o país iria dobrar o Cabo das Tormentas. Ou seja, que um dia destes estaremos a navegar nas águas do Cabo da Boa Esperança.

Ao leme estará, por certo, o Bartolomeu Dias do século XXI, José Sócrates. O primeiro-ministro vê-se, cada vez mais, como o homem que descobrirá o caminho marítimo, não para a pimenta, mas para a sopinha que nos aquecerá o estômago todos os dias. Enquanto brincamos com o Magalhães. A crise dá a sensação a Sócrates de que a sua preocupação é útil. A crise substitui a falta de pensamento de Sócrates. A crise pode preencher a agenda política, apagando todas as dúvidas sobre os erros da governação. A crise limpa consciências, erros e trapalhadas. A crise é o Ginseng de Sócrates.
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