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Fernando Sobral - Jornalista fsobral@negocios.pt 14 de Dezembro de 2004 às 13:54

O sermão aos eleitores

Em 1856, o governo francês convenceu o mágico Houdini para o ajudar a terminar com a rebelião na Argélia.

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Mostrando aos líderes tribais deste país que era mais poderoso do que os mágicos que os aconselhavam. O resultado foi notável: dispondo de tecnologia moderna, Houdini convenceu-os que os seus poderes e os da França, eram superiores. Tudo isto faz lembrar a política portuguesa actual.

Quem é o mágico mais poderoso? Santana ou Sócrates? Quem é o Mandrake que pode tornar o país num oásis de sonhos? Portugal pode precisar de magia para ultrapassar a crise económica e de valores mas os políticos assemelham-se a santas da Ladeira ou a Donas Brancas. Prometem e o país continua à espera que alguém cumpra.

Continuamos a arrastar-nos como o indigente que espera que, se estender a mão, a sorte lhe cairá do céu. O Portugal político é um xaile: esconde as suas debilidades, canta os erros dos outros, não apresenta qualquer raio de sol para o futuro.

É por isso que, olhando para a crise política, relemos Eça de Queiroz ou pensamos nas entrelinhas das frases do padre António Vieira. E, curiosamente, tanto tempo depois, tudo continua na mesma. Ou pior. O sermão aos eleitores continua dentro de momentos.

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