Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Opinião
Fernando Sobral - Jornalista fsobral@negocios.pt 23 de Fevereiro de 2007 às 13:09

Os músculos da democracia

Pede-se sempre a um Governo que nade contra a corrente. Nada disso acontece em Portugal. Sócrates nada a favor da corrente das ideias em voga. Assim poupa o exercício dos músculos e finge exercitá-los em "jogging" para a televisão.

  • Partilhar artigo
  • ...

Pede-se sempre a um Governo que nade contra a corrente. Nada disso acontece em Portugal. Sócrates nada a favor da corrente das ideias em voga. Assim poupa o exercício dos músculos e finge exercitá-los em "jogging" para a televisão.

A democracia musculada comemora-se assim neste rectângulo calmo e expectante. Dois anos depois de ter chegado ao poder, Sócrates diz o que quer face a uma oposição afónica. Trouxe para Portugal o conceito da "democracia de mercado".

Os resultados financeiros sobrepõem-se ao calor humano. A estratégia de Sócrates é clara como uma farófia: boas relações públicas, sondagens de opinião sempre em cima da mesa e uma voz audível que abafa todas as outras.

Parece que os seus fiéis seguidores consideram que Sócrates é o líder do futuro: fala alto e traz na mão um bastão contundente. O sorriso electrónico de Sócrates é invencível. Ele é um fiel seguidor de Blair. Que seguiu os passos da doutrina Thatcher/Reagan: flexibilidade laboral, cortes nos gastos do Estado mas com o reforço do centralismo deste, preferência por iniciativas privadas que libertem o executivo do ónus do gasto.

Sócrates só tem uma zona propícia à guerra civil que não governa com mão de ferro: a saúde, como se está a ver no Alto Tâmega. Governa-se sempre em nome de um fim. Sócrates parece governar em nome de um único fim: o do poder. O país cala-se perante as suas certezas. Só há um problema - não há teoria da evolução. O país muda e continua na mesma.

Ver comentários
Mais artigos do Autor
Ver mais
Outras Notícias