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Fernando Sobral fsobral@negocios.pt 20 de Abril de 2005 às 13:59

Os reféns europeus

José Manuel Durão Barroso é o príncipe desencantado da política europeia. Depois de se ter livrado da carga que era governar este sítio, sonhou que viria a ser o líder do velho continente.

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Depois do seu estado de graça, Barroso começa a perceber que os tapetes do poder se movem debaixo dos seus pés. E não é só porque a ondulação faz oscilar os melhores barcos gregos. Tem, no entanto, uma defesa: se é refém de um império imóvel, sabe que aqueles que o elegeram também são reféns da sua escolha. Estão todos numa gigantesca cadeia de solidariedade em que os interesses de cada um são mais importantes do que a criação de uma Europa diferente.

Só quando não restarem interesses para repartir é que talvez a Europa se passe a definir pelo que é e não pelo que não é. Como é neste momento o caso. À União Europeia falta direcção, convicção e propósito. Enganaram-se os que pensaram que quanto maior a Europa, melhor seria. Só que uma união não é a simples soma matemática das partes. Por isso se treme só de pensar num «não» francês à Constituição europeia.

Sem uma filosofia política própria a UE nunca será um dos vértices de um mundo cada vez mais disputado entre EUA e China. Por isso, sendo refém, Barroso está rodeado de outros reféns.

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