Fernando  Sobral
Fernando Sobral 04 de março de 2013 às 00:01

Ousar escolher, saber rodar

Quando o Sr. Jorge Jesus está em duas competições importantes, ainda tem dificuldades em escolher a prioridade. Este ano já se percebeu algo: a Taça da Liga é a competição menos importante para ele. Por isso, a equipa que jogou contra o Braga era uma verdadeira experiência científica

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Nos velhos tempos da "laranja mecânica" holandesa, que maravilhou os relvados, os jogadores rodavam de posições da mesma forma como nas antigas danças do país das túlipas. O resultado era agradável e letal. Hoje a dança é outra: chama-se rotação das equipas. Não falamos da tendência de alguns clubes substituírem uma tonelada de jogadores por outra, todas as épocas, como se isso criasse uma grande equipa. Estamos a pensar naquilo que sucede na Europa, em que os clubes que se desdobram por diferentes e exigentes competições têm de rodar os jogadores consoante os jogos, para os pouparem a um desgaste tão profundo que cheguem aos últimos jogos da temporada sem se mexer. Saber colocar a descansar alguns dos jogadores nucleares da equipa, para seu próprio bem, revela a sagacidade de um treinador e a sua capacidade de gestão.

Duas equipas merecem atenção especial: o Manchester United e o Bayern de Munique, que ainda não garantiram a vitória nos seus campeonatos. E que têm desejos europeus que necessitam de todas as melhores armas a funcionar, no momento crucial. Não admira. Quer o Sr. Alex Ferguson, quer o Sr. Jupp Heynckes, têm cerca de meio século de experiência futebolística ao mais alto nível. Mas continuam a ter vontade de vencer tudo. Há também o caso de Espanha, mas apesar do Barcelona ter a Liga praticamente ganha, a rivalidade com o Real Madrid não permite poupar munições nos momentos decisivos, como se viu na Taça do Rei. O Manchester United altera, neste momento, cerca de metade da equipa em cada jogo. O Bayern de Munique poupou metade da equipa contra o Werder Bremen após ter jogado com o Arsenal. E goleou a outra equipa alemã. Não admira: o Sr. Heynckes já fez 1000 jogos na liga alemã, como jogador ou como treinador. Por isso sabe conciliar a vontade dos jogadores com o interesse superior da equipa.

É por isso que é curioso ver a evolução do Sr. Jorge Jesus em Portugal. Nas primeiras temporadas à frente do Benfica essa rotação teve quase sempre resultados desastrosos. Este ano, apesar de alguns passos em falso, como se viu na alteração do centro do meio-campo contra o Leverkusen, que iam causando sérios dissabores à equipa na Luz. Até porque o Sr. Jorge Jesus, quando está em duas competições importantes, ainda tem dificuldades em escolher a prioridade. Este ano já se percebeu algo: a Taça da Liga é a competição menos importante para ele. Por isso, a equipa que jogou contra o Braga era uma verdadeira experiência científica. Mas, com um banco mais sólido, o Sr. Jorge Jesus, entre as competições nacionais e internacionais, começa a conseguir errar menos na forma de rodar jogadores. Mas continua a anos-luz de mestres nessa arte, como o Sr. Ferguson e o Sr. Heynckes.

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