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Portugal sem estratégia

Portugal é um país que gosta de se caricaturar a si próprio. Tem um Governo mas o que todos discutem é o Executivo que o substituirá. Este Governo é uma versão pobre de Lady Gaga: alimentou-se da sua imagem mas colocou Botox a mais.

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Portugal é um país que gosta de se caricaturar a si próprio. Tem um Governo mas o que todos discutem é o Executivo que o substituirá. Este Governo é uma versão pobre de Lady Gaga: alimentou-se da sua imagem mas colocou Botox a mais. O que se passou ontem, com a utilização, mesmo dissimulada, da "golden share", é a confirmação de que Portugal se tornou uma farsa. Sócrates poderia ser um defensor da iniciativa privada, mas apenas se ela não interviesse na sua capacidade de mandar nas empresas onde há capital público. Sócrates poderia ser um defensor de uma economia estatizada, com planos quinquenais e com comissários políticos no lugar de gestores. Escusava era de fingir. Sócrates gostaria de ser José Estaline, mas contenta-se em ser Hugo Chávez. Porque, a partir de agora, a palavra de Portugal valerá cinco cêntimos. Ou seja, ninguém acreditará em nada do que Portugal se comprometa a fazer. Há outro vector a considerar. Portugal, sem a Vivo, fica sem um braço armado de uma estratégia de internacionalização a longo prazo. Que passa pelo Brasil. E onde devem existir três ou quatro empresas estratégicas globais que sejam o passaporte económico da nossa língua e cultura. Só que o Estado português nunca se preparou para criar condições para isso. Alguém imaginará que, um dia, a Telefónica possa ser engolida por Carlos Slim? Ela é um activo estratégico de Espanha. Só que, por aqui, Sócrates interveio tarde e da pior forma. A sua atitude, com contornos nacionalistas e eleitoralistas, demonstra apenas a falta de visão estratégica do Estado português.





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