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Fernando Sobral - Jornalista fsobral@negocios.pt 05 de Dezembro de 2011 às 00:04

"Choucroute" imperial

A diversidade europeia caminha em passo rápido a caminho da unificação e liofilização de gostos e paladares.

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Angela Merkel explicou a ementa: união fiscal para que as autoridades de Bruxelas possam sancionar os membros que não cumpram as ordens de Berlim. O círculo está a fechar-se e os países do sul escusam de exercitar a dança da chuva. Não vai chover dinheiro sem uma rendição incondicional. Com a Grécia fora deste compromisso histórico em que se penhora a democracia, resta saber o que acontecerá a Portugal. E muitos acreditam que o seu futuro também será fora do euro, por muita mais austeridade que Pedro Passos Coelho possa anunciar para o próximo ano.

A forma como o primeiro-ministro concorda com tudo o que Angela Merkel diz não lhe garante nada para além de uma mão cheia de promessas vãs e outra cheia de coisa nenhuma. O estilo assumido por Passos Coelho não dá frutos. Até porque começa a ser evidente que não é óbvio que a permanência na União Europeia seja o caminho para a felicidade se ela só nos oferece austeridade em forma de prenda natalícia. Há um equívoco: mesmo com unificação fiscal, nunca poderemos ser como os alemães.

A Europa não se pode reconduzir ao euro e à unificação fiscal. Quando isso acontecer, deixará de fazer sentido fazermos parte de um mundo que, depois, quererá que o "choucroute" seja o prato nacional da UE. Até na culinária tudo nos separa da Alemanha. É essa questão fulcral que Pedro Passos Coelho necessita de colocar a si próprio defronte do espelho. Porque não podemos passar o resto da vida na sopa dos pobres só para pertencer à Zona Euro.

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