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Fernando Sobral fsobral@negocios.pt 15 de Janeiro de 2012 às 23:30

Restos de fé

Quando os políticos abandonam uma fé sem descobrirem outra, tendem a começar a afundar-se num pântano criado pelos próprios.

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Quando os políticos abandonam uma fé sem descobrirem outra, tendem a começar a afundar-se num pântano criado pelos próprios. Os partidos hoje no poder abandonaram a oposição com uma crença e agora conformam-se com o que renegaram no passado. O problema é que, na política, o passado é uma parte importante do presente. Não se atira uma fé pela janela com a mesma facilidade com que, antes de haver esgotos, os habitantes da cidade atiravam a água suja para a rua.

Quando se repete demasiadas vezes que o Governo não teve nada a ver com as nomeações na EDP ou AdP, é porque se quer transformar uma negação numa verdade. Só que a forma que se está a usar para tentar convencer os portugueses não persuade ninguém. A começar por quem paga impostos cada vez que mexe um dedo. Só falta o Governo dizer que a única pessoa que nomeou partidariamente foi um indigente que passou à porta da Gomes Freire e foi contratado como chefe dos paquetes. Com estes desmentidos frouxos, o Governo está a esgotar o benefício da dúvida. Sem mobilizar a nação. O desconforto está a atingir a classe média, a espinha dorsal de uma sociedade actuante.

Quando Passos Coelho tem de vir dizer "julgo que não é crime ser militante de um partido" é porque sente que os portugueses já não estão a velar tudo o que o Governo diz. Não é um crime. Mas quando se cria uma guerra de trincheiras entre quem tem o cartão do partido e quem não tem é porque a sociedade está a cindir-se. Numa altura em que se pedem sacrifícios, não se pode só enviar a infantaria para a frente para ser dizimada. Enquanto os oficiais ficam a almoçar na retaguarda.

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