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Salvar o futebol?

O mealheiro do futebol está sem fundos. Vive-se de oxigénio e de soro e, como é habitual nos países da orla sul da Europa, a habitual misericórdia estatal já se começa a manifestar.

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O mealheiro do futebol está sem fundos. Vive-se de oxigénio e de soro e, como é habitual nos países da orla sul da Europa, a habitual misericórdia estatal já se começa a manifestar.

O sr. Berlusconi, por exemplo, tem uma pizza quente nas mãos: se deve muito do seu estatuto ao futebol vê a sua coligação em riscos de desintegração por causa de querer “salvar” os clubes italianos.

A história é de arrepiar: os 18 clubes que integram a Série A tiveram, na temporada passada, um prejuízo de 948 milhões de euros (a recente multa da EU à Microsoft só dava para pagar metade do “buraco”) e, com os salários dos jogadores a consumirem 85% das receitas, estão como se fossem o sr. Pavarotti a cantar qualquer coisa como “Ó Fisco Mio!”.

O sr. Berlusconi decidiu, benemeritamente, que os clubes deveriam ter direito a pagar mais flexivelmente os seus impostos, para que não pareçam como os intérpretes do filme “A Grande Farra” do sr. Marco Ferreri. Isto é, que acabem por perecer devido aos seus excessos.

Alguns dos colegas de coligação do sr. Berlusconi, e todos os que têm juízo, vieram clamar contra a ideia, apesar do sr. Fini ter vindo dizer que, como italiano, não imaginava um domingo sem futebol. O futebol europeu tornou-se uma espécie de “fast food” e engordou depressa demais.

Está balofo e, um dia, como um balão pode rebentar quando encontrar um alfinete.

Não é só na Itália, mas também na generalidade de todos os outros países, como Portugal, onde a realidade tem sido substituída pelo delírio. Mas o que está a acontecer ao sr. Berlusconi mostra que a profunda amizade entre o futebol e a política pode acabar em tragédia. Lá como cá.

O futebol indígena, assim que passar a euforia do Euro’2004, talvez também tenha de se sentar calmamente e puxar o lápis de detrás da orelha. E começar a fazer contas novamente em papel pardo, porque os computadores tiveram de ser hipotecados.

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