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Fernando Sobral fsobral@negocios.pt 08 de Agosto de 2012 às 23:30

Tanto mar, tanta banhada

O mar sempre foi um desígnio nacional. Utilizámo-lo para criar um império que permitiu que os portugueses cumprirem o seu destino longe daqui.

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Como escreveu o Padre António Vieira: "Deus deu aos portugueses um berço estreito para nascer e um mundo inteiro para morrer". Não é um acaso.

Portugal olhou para o mar como um desafio e sempre se esqueceu do seu interior. Mas o país que tem uma das maiores ZEE do mundo continua a desprezar o mar. Como sempre, no momento em que os canoístas medalhados nas Olimpíadas chegarem a Portugal, um qualquer ministro estará a seu lado para as fotos, louvando a ligação portuguesa ao mar.

Escondida estará uma marinha comercial e de pesca decrépida, a incapacidade para dotar a marinha de guerra de meios para patrulhar as nossas águas territoriais, a ausência de uma política de construção naval (como é visível no folhetim nos Estaleiros de Viana do Castelo) e a nebulosa que é a actuação nos portos, novamente com gestão a prazo e com centralismo no Terreiro do Paço. Temos mar, mas não temos estratégia nem táctica para o utilizar a nosso favor. Michael Porter veio falar-nos do "cluster" do mar.

Pagámos a ideia e colocámos o documento na gaveta. Porter foi até à Nova Zelândia dizer-lhes o óbvio: têm mar, aproveitem-no. Eles fizeram isso e hoje têm das indústrias de construção naval mais inovadoras e competitivas do mundo. Por aqui apostámos em auto-estradas para estas ficarem desertas de carros.

Olhando para o mar, Portugal só o utiliza para se banhar e para dizer que é um destino turístico. Pode ser que agora uma canoa premiada leve o Estado a olhar para o que temos à nossa frente.

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