Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Opinião
Fernando Sobral - Jornalista fsobral@negocios.pt 28 de Outubro de 2010 às 12:29

Tiro no meio da testa

Portugal parece um barco que, em vez de avançar, se esforça por marchar à ré.

  • Partilhar artigo
  • 3
  • ...
São opções, é claro. Em vez de enfrentar os problemas, evita-os. Os partidos políticos que governam o regime, PS e PSD, julgam que com as suas tácticas políticas se esquivam ao iceberg do desastre anunciado. Podem evitar, mas acabaram de acertar num rochedo. O desacordo sobre o OE, mesmo que os mercados imponham a disponibilidade do PSD ou do PP para se absterem, é a última brincadeira de crianças imberbes em que se tornou a política indígena. PS e PSD parecem baratas tontas. Querem salvar-se eleitoralmente mesmo que, para isso, o País naufrague. O fim deste regime de egos enormes e de cumplicidades pacóvias está por um fio. Depois desta comédia sem arte que foi a negociação sobre o OE, torpedeada desde o início por declarações irresponsáveis de dirigentes máximos do PS e do PSD, a decadência moral do regime atingiu o auge. A decência política foi hipotecada. PS e PSD estão a jogar a roleta russa: só que em vez da sua cabeça está lá a dos portugueses. O problema, como no tempo de Eça, não é a dívida pública. É o empréstimo. E o País está dependente dele. O empréstimo é o nosso oxigénio. Mas, indiferentes a isso, PS e PSD só pensam nas eleições de Maio e nos cargos que estarão disponíveis para gerir o caos. Este OE é mau, foi feito com os pés, ninguém o pensou. Mas é menos mau do que o OE do FMI. A luta política poderia ter feito um intervalo. Para recomeçar, a sério, depois de se acalmar quem passa o cheque que nos permite a sobrevivência. Este não foi um tiro de pólvora seca. Foi no meio da testa de Portugal.


Ver comentários
Mais artigos do Autor
Ver mais
Outras Notícias