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Filipe Garcia - Economista 17 de Dezembro de 2012 às 23:30

"As contas Politicamente Incorrectas da economia portuguesa"

O agravar da crise económica em Portugal originou um intenso debate sobre os motivos que levaram o país até à situação difícil em que se encontra, sobretudo desde 2008. Um dos aspectos positivos da crise, se é que se pode falar dessa forma, passa pelo maior interesse da população acerca da economia e do seu funcionamento em geral, com especial ênfase nas contas públicas e no impacto da governação no quotidiano dos cidadãos.

Do mesmo modo, observa-se uma maior maturidade e conhecimento dos portugueses em relação ao tema, sendo certo que se trata de um terreno fértil para actividades demagógicas e de manipulação da realidade, em que proliferam opiniões baseadas mais em convicções, distorções e falácias do que em números e numa análise rigorosa das relações de causa e efeito. Aliás, este aspecto é abordado no prefácio deste "As contas Politicamente Incorrectas da economia portuguesa".


Ricardo Arroja, o autor deste livro, dispara com acerto: "Para propor alternativas para o futuro, é necessário estudar o passado. E compreender os elementos distintivos que, tradicionalmente, têm caracterizado a economia portuguesa". Este é claramente o objectivo desta obra, que é cumprido de forma clara. Ao longo das 200 páginas do livro, de leitura ligeira mas quase sempre rigorosas, é apresentada ao leitor uma descrição do "Portugal Económico" ao longo do tempo, com especial ênfase na evolução dos últimos 40 anos, sem esquecer uma "fotografia" da actualidade. Pontualmente, surgem também algumas perspectivas pessoais do autor, ainda que não se trate de um livro de opinião. A excepção surge no capítulo final – "O Futuro" – em que Ricardo Arroja adopta um tom mais interventivo e prescreve algumas das suas soluções para o futuro do país.

Embora se trate de uma obra perfeitamente autónoma, parece-me que "As contas Politicamente Incorrectas da economia portuguesa" se inspiram um pouco num outro livro muito interessante, que já tivemos a oportunidade de analisar: "Economia Portuguesa – As últimas décadas" de Luciano Amaral. Como nota Vítor Bento, num prefácio bem conseguido, é crucial a existência de rigor argumentativo como ponto de partida para a discussão esclarecedora. Ora tanto Ricardo Arroja como Luciano Amaral escolhem esse caminho, o que o leitor só pode agradecer, mesmo que não partilhe completamente as suas opiniões. Notar ainda a coragem de argumentar que Portugal apenas terá registado "verdadeiro progresso económico" nos últimos três séculos sob os governos do Marques de Pombal e de Salazar.

O livro está recheado de números e factos, devidamente enquadrados e com a correcta referenciação das fontes consultadas, ao contrário das muitas obras de "narrativa pré-formatada" que se vão lendo em Portugal. Também por isso, esta obra não será de curta validade no tempo, pelo contrário e arrisco a previsão que daqui a 10 ou 20 anos será um texto consultado pelos estudantes de economia portuguesa.

 

 

 

 

 

Autor: Ricardo Arroja
Data: 2012 - Guerra & Paz
Frase: "A história económica de Portugal (...) revela-nos uma difícil convivência com o livre comércio"
Palavras Chave: "Microempresas"; "PAC"; "O Monstro"; "Marquês de Pombal"; "Salazar"; "Proteccionismo";
Apreciação: ****

 

 

 

 


Economista da IMF, Informação de mercados Financeiros

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