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Do tufão financeiro à crise económica

O tufão financeiro está, finalmente, a perder força. Os estragos que causou, e que ainda vai provocar, começam agora a ver-se na economia, com falências e desemprego. A recessão nos Estados Unidos e Europa está dada como certa. O que se desconhece é a dimensão da crise económica que aí vem. Mas todos parecem estar a preparar-se para o pior cenário. O que agrava ainda mais as perspectivas.

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Em Abril de 2007, faliu a primeira sociedade que concedia crédito à habitação de alto risco nos Estados Unidos. Em Julho, as bolsas deram o primeiro sinal de alerta. Em Agosto, os bancos centrais actuaram pela primeira vez para estabilizar o mercado de crédito. No fim-de-semana de 11 e 12 de Outubro de 2008, os líderes dos Estados Unidos e da Europa chegaram finalmente a uma solução que estabilizou os mercados financeiros com dinheiro dos contribuintes, a única possível face à gravidade da situação.

Foram dezoito longos meses em que, primeiro, as instituições financeiras tentaram disfarçar as suas dificuldades e depois, quando começaram a implodir, tiveram de esperar que os governos compreendessem exactamente qual era o problema que enfrentavam para que se encontrasse a solução certa. Se tudo tivesse começado a ser resolvido mais cedo, poderia custar menos dinheiro aos contribuintes. Mas não evitaria a crise que agora vai chegar, a económica.

Como dizia um responsável do FMI entrevistado pelo Negócios na semana passada, não podemos considerar que vivemos a pior crise financeira de sempre e esperar que as empresas e as famílias fiquem imunes a esse autêntico tufão.

Esfumaram-se do sistema quantidades de dinheiro difíceis de estimar. Apenas teremos uma ideia depois de concretizadas todas as ajudas dos Estados aos bancos, feitas de aumentos de capital e fundos para aquisição de activos financeiros ou de casas compradas por quem deixou de as pagar.

Os apoios públicos não anulam o que se perdeu. Vão buscar recursos a quem poupa, através da emissão de dívida. Será dinheiro que entrará nos bancos para que estes possam emprestar mas nunca na dimensão do que fizeram no passado. E, para resolver a crise financeira, os próprios estados ficam limitados na sua capacidade de investir.

A quantidade de crédito disponível caiu drasticamente. O seu preço, mesmo que os bancos centrais o queiram diminuir, já subiu. A Euribor pode cair e reduzir as prestações de quem já comprou casa ou tem o contrato assinado para um empréstimo empresarial. Mas os novos créditos terão, como já têm, prémios bastante mais altos sobre a taxa Euribor.

Todos, famílias e empresas, terão de aprender a viver com menos empréstimos. O que terá um violento efeito sobre economias, que se habituaram ao crédito fácil e barato, que vivem de crédito em crédito com a renegociação de um novo empréstimo para pagar o anterior.

Com dinheiro dos contribuintes o Estado português, como acontece com outros países europeus, avaliza o acesso da banca a linhas de crédito que servirão para pagar empréstimos que chegaram ao fim da sua maturidade. Assim se evita que o crédito à economia se reduza ainda mais. Mas não há garantias assinadas pelo Estado para que as empresas possam fazer exactamente o mesmo, refinanciar uma linha de crédito.

Esperam-nos tempos muito difíceis. A boa notícia é que, como já sabemos, podemos preparar-nos para as dificuldades.

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