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Helena Garrido Helenagarrido@negocios.pt 24 de Maio de 2011 às 11:27

E o euro volta a arder

A crise da dívida de alguns países do euro ameaça transformar-se na crise do euro.

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A desorientação, a indecisão, a desunião e as preocupações com o acessório, como os cargos no FMI, ameaçam seriamente a união monetária.

A Grécia entra no seu quinto programa de austeridade sem que se veja uma solução para a ratoeira da dívida em que está. A Itália promete intensificar as reformas estruturais e acelerar o esforço de equilíbrio financeiro em resposta à ameaça da agência de "rating" Standard & Poors de agravar o seu risco. A Fitch, outra agência de avaliação de risco, ameaça baixar o "rating" da Bélgica. E Espanha vê também as taxas de juro da sua dívida pública a longo prazo subir, por contágio ou por receio de que a vitória eleitoral do PP em muitas regiões onde estava o PSOE traga ao de cima, na já tradição europeia, dívidas escondidas.

É esta a Europa do euro em que estamos a viver. Arrastada pelos cabelos para um precipício sem fundo pelas agências de "rating" e pelos investidores porque, afinal, "quem pode confiar em quem se deixar afundar?". E, um a um, vamos assistindo à queda dos países do euro na armadilha da dívida. "Vamos tomar medidas", prometem. E essas medidas cavam ainda mais o buraco em que estão.

É uma narrativa aterradora que ninguém parece querer matar de vez. Quando na realidade todos sabem como poderiam acabar com este pesadelo.

A experiência da crise do mecanismo de taxas de câmbio do sistema monetário europeu mostrou que só se combate uma onda de desconfiança generalizada dos investidores com união e medidas musculadas, legitimadas pela soberania dos estados. E há soluções técnicas que acabariam de vez com esta agonia a que os líderes do euro já estão a condenar a Grécia e a que ameaçam conduzir a Irlanda, Portugal, Espanha, Itália, Bélgica... A lista pode não ter fim, porque até a França tem indicadores financeiros pouco simpáticos.

A compra de títulos de dívida pública pelo Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF), que a Zona Euro devia ter decidido na Cimeira da Primavera em que deu o voto de confiança ao designado PEC IV português, é uma das mais importantes soluções para se sair deste círculo vicioso que ameaça acabar com a moeda única.

Hoje não se estaria a falar de reestruturação da dívida grega se essa decisão já tivesse sido tomada e se neste momento o FEEF já estivesse a comprar dívida grega no mercado secundário. Sim, é verdade que se estaria a reestruturar a dívida. Mas a operação seria bastante menos traumática para todos os envolvidos, para os gregos, investidores e para todos os países da Zona Euro. E não estaríamos a assistir a um conflito entre o BCE e os líderes políticos que é mais uma acha para a fogueira em que já está a arder
a moeda única.

É urgente que os líderes do euro se convençam de que, seja qual for o país, de olhos azuis ou olhos negros, um problema de dívida não se resolve com taxas de juro cada vez mais altas e mais e mais austeridade. O fim deste caminho é acabarmos todos, incluindo a Alemanha e a França, sem o euro e sem pagar as dívidas. Um destino que ninguém deseja.


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